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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

TÉCNICAS DE CANTO USADAS NO ROCK




Para melhor compreendermos as diferentes técnicas usadas no canto usaremos como exemplos cantores de rock, visto que a enorme abrangência d`esse estilo musical em termos de influências de outras vertentes nos suprirá a contento de qualquer base a que venhamos necessitar.



E como primeiro exemplo citaremos a um cantor brasileiro muito conhecido do grande público e que nos servirá como um importante referencial, visto que o seu trabalho nos apresenta dois diferentes aspectos importantes relativos ao nosso assunto. Começaremos com o cantor baiano Raul Seixas.



Analisando a sua voz falada, qualquer professor de canto diria que Raul se enquadrava na classificação vocal erudita como um “tenor”, isto é, a voz mais aguda d`entre as masculinas, visto que geralmente os tenores apresentam uma voz falada “pequena”, quase anasalada, e seus graves são bastante limitados. Entretanto, Raul (como Chico Buarque, e outras centenas de outros artistas) nunca desenvolveu o seu canto de maneira profissional e sistemática por sempre acreditar que “não era cantor, apenas usava de sua música para dizer o que pensa”. Ledo engano. Todas as vozes são feitas para o canto, nenhuma voz é boa ou ruim, todas elas podem ser moldadas e “consertadas” com estudo e disciplina.



Na canção “Eu também vou reclamar” Raul usa de uma técnica vocal básica utilizada principalmente pelos locutores de rádio, que é a simples “impostação de voz”. Como trata-se de uma canção explicitamente “Bob Diliana”, ele canta como se estivesse apenas narrando uma história (note como a melodia vocal não apresenta muitos floreios de notas, é quase como se ele estivesse falando normalmente). Na “impostação” apenas usa-se de uma ressonância bastante “abdominal”, e uma emissão vocal firme como no “belting”. As palavras são pronunciadas de forma bastante aberta, com muita expressão facial, para obtermos brilho, clareza vocal.


     Tomemos, agora, outro exemplo em que ele usa uma abordagem totalmente oposta: a música “Maluco beleza”. Surpreendentemente, nela ouvimos a um Raul Seixas lírico, talvez essa música seja o seu ponto mais alto como cantor, visto que trata-se de uma melodia complexa e seu registro de estúdio (disco) apresenta uma qualidade de canto sofisticada ao nível profissional (aparentemente, graças aos recursos do “overdub”, visto que ele mesmo nos assegurava de que não treinava técnicas vocais, e na época ainda não existia o “Pro Tools” com seus recursos de “auto-tuner”). Nela, Raul usa a técnica de head-voice, conhecida no Brasil como “voz de cabeça”: Note que os agudos são atingidos sem o aumento da dinâmica/intensidade da voz, Raul canta com a leveza de um cantor de bel-canto, usando muitos “glissandos” (principalmente na parte em que ele canta “apren-dendo-a-ser-louco”) e sustentações de voz com vibrato de diafragma. Para se cantar a essa canção, deve-se treiná-la com mínima intensidade, e sem recorrer a falsetes nas partes mais agudas da melodia da estrofe ou, melhor dizendo, sem quebra de voz. Mas atenção, também é muito interessante notarmos que nesta mesma canção Raul deixa de usar a voz de cabeça para usar o belting quando começam os refrões. E, como referencial, sugiro ao estudante analisar, também, á (muito bela) canção “A hora do trem passar”, onde Raul também canta quase da mesma forma. São dois exemplos muito bons para nos acostumarmos a cantar com a voz de cabeça.



[Mas atenção: Essa tonalidade (C, Do) é para tenores ou barítonos avançados, não cante músicas que não forem de sua tessitura vocal, se for o caso transporte a tonalidade para cima, ou para baixo.]



Passando para outro artista, usaremos como exemplo ao trabalho de Renato Russo. Renato era um barítono, ou seja, a sua voz era média. Isso significa que ele podia transitar tanto pelas notas graves, como pelas agudas... Mas sem poder chegar aos extremos de nenhuma delas. Entretanto, Renato gostava muito de abusar de seus agudos para intensificar suas interpretações, e acompanhar á dinâmica do conjunto de rock que o acompanhava (a Legião Urbana), e então ele recorria muitas vezes ao “belting” para dar mais peso. Fica mais fácil percebermos o quanto Renato usava de impostação torácica (“voz de peito”) principalmente quando reparamos nas partes mais graves de suas canções, quando ele cantava como o “Ian Curtis”. E, quando ele subia o tom (como em “Fábrica” e “Daniel na cova dos leões”, só pra usarmos dois exemplos) era inevitável: belting.

      Para um bom belting devemos “abrir” a região do pescoço sem tencionarmos e nunca forçar a musculatura, o que poderia gerar calosidades vocais irreversíveis. Uma boa canção da Legião Urbana para se treinar belting é a “Que país é este”: Tente alcançar a linha melódica do refrão principal com a voz clara e forte, mas de forma confortável, sem gritar. Se você estiver achando dificultoso, forçoso, alcançar ao tom, você não está cantando em belting, você está apenas gritando.



Agora vamos aos cantores internacionais. Inevitavelmente iremos começar por quem eu acredito seja o maior cantor que já fez parte de um conjunto de rock (muito embora não seja o meu preferido, apenas analiso-o neste momento por seu domínio de técnica) que é o vocalista da banda Queen, Freddie Mercury. Seu head-voice em “Old fashioned lover boy”, por exemplo, é tão alto que nos chega a parecer o canto de uma mulher. E seu domínio de belting em “I want to break free” eu só vi reproduzido satisfatoriamente por cantores “cover” excelentes. O próprio Freddie deixava um pouco a desejar nos registros ao vivo dessa canção pelos excessos cometidos por ele, como beber cerveja gelada durante a apresentação, e seus famosos melismas que ele improvisava para cantar com o público e que, com certeza, aceleravam em muito a fadiga de suas cordas vocais. De qualquer forma, apenas com a audição de seus registros ao vivo de “Somebody to Love” (onde ele chega a nos mostrar melismas de quatro notas por segundo) já é o bastante para se comprovar a sua surpreendente perícia vocal.



Bruce Dickinson (vocalista da banda Iron Maiden, e quase sempre citado como referência quando o assunto é “cantar rock”) nos apresenta uma técnica vocal bastante polêmica, visto que ela é muitas vezes confundida por “professores de canto” com o head-voice, ou com o belting. Entretanto, fica óbvio para o estudante atento percebermos que não se trata nem de um, e nem do outro, mas de um registro vocal misto, onde sua base característica são os agudos muito famosos dos cantores de óperas. Muitos cursos de canto abordam o tema, mas apenas com as descrições fisiológicas de “laringes e pregas vocais” (talvez disfarçando o próprio indomínio do “professor” sobre a técnica), e quase nenhum estudante irá conseguir compreender – e pôr em prática - o assunto apenas através de tais descrições. A forma mais fácil e aproximada de mostrarmos onde necessariamente essa emissão vocal se inicia é tomarmos como exemplo (um tanto estranho, concordo, mas eficaz) o nosso típico “bocejo”: nesse “uaaa” gerado, repare onde a voz é colocada, e compare com um “uaaa” falado normalmente. É exatamente aí que a voz deve ser colocada para o correto apoio dos agudos!

Na história do rock tivemos alguns cantores que saíram dos parâmetros convencionais e trouxeram inovações, muito embora algumas d`essas “inovações” (apesar de terem indubitavelmente, imortalizado aos intérpretes em registros de estúdio formidáveis) acabaram sendo tão extremas, que danificaram irreversivelmente as suas cordas vocais, e em muitos casos exigindo intervenções cirúrgicas e - até mesmo -  encerrando a carreira do artista. Neste assunto temos exemplos que vão desde Axl Rose, Robert Plant e Roger Waters (respectivamente, vocalistas do Guns`n Roses, Led Zeppelin e Pink Floyd), que são os exemplos mais duros do quanto os excessos podem ser prejudiciais, visto que o timbre vocal dos três fora inevitavelmente deformado, e para comprovarmos isso basta escutarmos aos registros mais recentes de seus trabalhos. Claro que, para se terem imortalizado com suas bandas, tal sacrifício talvez tenha sido voluntário (e satisfatório para eles) esta é uma questão bastante pessoal (eu, particularmente, acredito que tais sacrifícios foram válidos, se foram conscientes), mas basta buscar para encontrarmos outros exemplos de artistas que alcançaram o mesmo estrelato, mas sem pagar o preço com suas vozes.


Os melhores exemplos de cantores que souberam muito bem usar de seus extremos vocais sem danos ao trato vocal, mesmo alcançando tons surpreendentemente altos que qualquer professor de canto desaconselharia julgando-os extremamente danosos, foram Paul Stanley (do grupo Kiss) Steve Tyler (do grupo Aerosmith). Basta compararmos ao registro de estúdio original de “Rock bottom” com sua versão acústica ao vivo gravada décadas depois, para comprovarmos (com grata surpresa) de que o alcance e domínio vocais de Stanley só fizeram por melhorar. E, nesse mesmo concerto ao vivo (Unplugged MTV), Stanley canta “I still loving you” com uma técnica de vibrato laríngeo impecável, senão inédita na história do rock mundial.

     Que dizer, então, de nosso velho Steve Tyler? Na década de noventa o Aerosmith teve uma feroz alavancada em sua carreira, embalada em canções de claras intenções pop, mas a voz de Steve estava com um alcance vocal tão eficaz que fez com que os adolescentes se enganassem pensando se tratar o Aerosmith de uma banda “nova”... Na verdade, o Aerosmith já existia há décadas atrás!


Essas são as duas principais provas vivas de que não é preciso estragar a voz para se fazer coisas surpreendentes. Somente precisamos de disciplina e – principalmente – muito treino e repetição. Esse é o detalhe que diferencia o virtuose, de um artista medíocre: a disciplina militar de treinos diários.


Seguem abaixo algumas canções selecionadas por mim para treinos autodidatas


Para treinos com head voice (tenores, ou barítonos avançados):
Babe, I love your way (Peter Frampton)
Kiss from a rose (Seal)
It ain`t over till it`s over (Lenny Kravitz)
Blue (Geoffrey Williams)
How come, how long (Babeface)


Para treinos com belting
Don`t go away (Oasis)
Travelling band (Creedence Clearwater Revival)
Walk, idiot, walk (The Hives)
Sweet Leaf (Black Sabbath)


Para treino com melismas
Edie (The Cult)
Sanssouci (Rufus Wainwright)
Your Savior (Temple of the dog)



Para treinos com voz de peito (graves)
We could be so good together (The doors)
Your latest trick (Dire Straits)



Considerações finais


     Lembre-se, só a prática constante levará a um aumento gradativo de suas capacidades, mas muito cuidado com os excessos.

Deve-se, também, fazer-se constantemente uma auto-análise para a correção de vícios. Uma boa dica é sempre gravar seus registros, para depois ouvi-los com atenção.


Outro detalhe muito importante: Nenhum cantor do mundo é capaz de cantar todas as músicas que ele gosta. Muitas vezes nos deparamos com canções que - por mais que tentamos - não se encaixa em nosso timbre vocal, e isso acontece até mesmo com canções de artistas com o nosso mesmo naipe vocal. Isso ocorre porque as vozes possuem características muito particulares e – da mesma forma como uma impressão digital – únicas. Muitos artistas “cantam bem” músicas de outros cantores por conseguirem sencilhamente imitar ao timbre deles, mas isso é um erro comum.


O verdadeiro artista nunca imitará a ninguém. Ele poderá cantar a mesma melodia, com a mesma letra, mas a sua interpretação deverá ser sempre individual. Caso contrário, não será “arte”, mas apenas uma imitação.




*


TÉCNICAS DE CANTO - INTERMEDIÁRIO PARA O AVANÇADO


Escrito por Saides Lamarca

Vibrato de laringe, e o vibrato abdominal (ou “diafragmático”)

 

Vibrato são pequenas oscilações (geralmente de meio-tons) em uma nota qualquer.

Trata-se de uma técnica muito usada no canto lírico e popular, onde cada gênero musical tem a sua forma própria quanto à amplitude da oscilação, e da velocidade do vibrato.

O vibrato dá uma sonoridade mais harmoniosa para as notas sustentadas, pois uma nota sustentada prolongadamente sem nenhum efeito vocal pode tornar-se cansativa para o ouvinte.

O “vibrato de laringe” é produzido pela correta colocação da laringe, que oscilará somente com a pressão exata de ar que por ela passar, com a laringe em estado de relaxamento. Somente com o decorrer da prática o estudante perceberá a intensidade correta para o desenvolvimento do efeito de tremolo de voz.

Quando o ar for bombeado na intensidade correta para as pregas vocais, elas entrarão em ondulação e o som vibrará naturalmente (da mesma forma como uma bandeira hasteada ondula rapidamente sob a ação do vento, por ex.). Se o cantor colocar a voz no lugar certo (na caixa de amplificação/ressonador) e tiver ar sobrando, o vibrato acontecerá naturalmente.

É o conforto da emissão.

No vibrato de diafragma (ou vibrato abdominal) o vibrato dependerá do correto apoio dos músculos intercostais para o controle dessa oscilação. Caracteriza-se por um vibrato mais lento e gradual que o laríngeo. Mas, diferentemente do vibrato laríngeo, o vibrato do diafragma será totalmente controlado de forma consciente pelo cantor, enquanto que no vibrato laríngeo a oscilação é espontânea. No vibrato de diafragma o intérprete pode controlar a velocidade e o “alcance de pitch” dessa oscilação á vontade, o que não ocorre com o vibrato laríngeo, que será sempre rápido e de meio-tom.  

O vibrato simples consiste na junção de uma nota e um semitom unificados. Para entendermos melhor, precisaremos aprender a noção de “Pitch”.

Um controle eficaz de PITCH significa que o músico tem o domínio da freqüência exata de cada nota musical. Pitch significa “grau”, ou seja, cada nota tem a sua freqüência, e para irmos para a nota anterior ou posterior iremos ter que variar seu grau vibratório (medido em Hz).

Para exemplificar melhor, usemos as teclas do piano como referência: as notas principais (la, si, do, re, mi, fa, sol – ou, respectivamente, A, B, C, D, E, F) são as teclas brancas, e os semi-tons (sustenidos e bemóis) são as teclas pretas. Se você estiver cantando uma nota um semitom mais agudo, você estará cantando o SHARP da nota (ex. de notação: C#, F# e G#); se você estiver cantando uma nota um semitom mais grave, então você estará cantando o FLAT da nota (ex. de notação: Eb e Bb).

Relembrando que o vibrato simples é constituído
por uma nota e seu semitom SHARP (#).

Atenção: Não poderá haver tensão na região da garganta (ela deve sempre estar relaxada) e não é necessário vibrar a boca, e nem os lábios.

No canto lírico moderno existem vários tipos de vibrato mais complexos que funcionam com o mesmo mecanismo básico, porém são feitos com dois semitons e uma nota (ex.: Bb, C e C#), e/ou são ressonados fortemente na região torácica frontal (o que dá um aspecto mais “fechado”), e/ou são obtidos através de uma vibração labial coordenada (o que permitirá fazer melismas com muitas notas e em grande velocidade, uma das mais complexas - e difíceis - técnicas vocais, somente dominada por cantores virtuose muito experientes e disciplinados).





Melismas

Melisma (do grego mélisma, que significa “melodia”) trata-se de uma espécie de vocalização ornamental de número indeterminado de notas musicais.
Na técnica medieval de composição de organas do cantochão (canto litúrgico católico, essencialmente monódico, mais conhecido como “gregoriano”), melisma passou a significar um fragmento melódico, ou grupo de notas de valores breves usados para enriquecer a melodia.

Em outras palavras: a voz emitida é trabalhada em pequenos fragmentos, gerando assim vários movimentos livres com notas curtas, tecendo uma espécie de bordadura (ornamento). Provavelmente esta técnica teve origem nas improvisações feitas pelos próprios cantores.

Alguns cantores profissionais podem conseguir realizar melismas de10 notas em apenas 2 segundos!
Assim sendo, é necessário conhecer as escalas básicas (principalmente a maior/jônio e a menor/eólio) para que se possa realizar o melisma com a precisão necessária.

Ressalto, porém que, antes de tudo, é fundamental conhecer muito bem a melodia original da música (sem qualquer improviso inicialmente) e somente depois começar a implementar alguns melismas improvisados pelo próprio intérprete, fazendo-se uso da linha melódica principal como referência.
Outro detalhe importante: Muito cuidado com os exageros. Muitos intérpretes incorrem ao erro do uso excessivo de técnicas vocais.
Lembre-se sempre de que “MENOS é MAIS”.

O melisma da Black music originou-se da fusão cultural entre mouros e africanos.
Dessa fusão das únicas 5 notas que a civilização negra utilizava (a famosa escala pentatônica, muito utilizada no blues) surgiu o “Iodol”, que é o melisma com tempo dobrado, e que é feito tanto em escalas descendentes, quanto em ascendentes (que, ao meu ver, são as mais interessantes).

Na evangelização dos negros pelos metodistas eles se depararam com outros intervalos (totalizando 12 semitons, 7 a mais do que eles conheciam), onde os intervalos do 3º pro 4º e do 7º pro 8º eram de semitons, dando um ar mais doce e melancólico às canções dos hinos “brancos”, com a nova melodia com o intervalo da 3ª menor. E, também, pelos cantores que “bemolisavam” a 5ª e a 7ª, tornando inconfundível a Black music.

Melismas não são essenciais a uma música, mas podem (com muito critério, bom-gosto e sem exageros, claro) deixá-la mais bonita. E nem todos os estilos musicais "apreciam" melismas. Como já dito, deve-se usar muito critério.

Atenção: Exercícios para o músculo velar ajudam muito em treinos, pois ele é o principal responsável pela clareza (definição) de cada nota do melisma. De outra forma seus melismas ficarão indefinidos a ponto de parecerem “glissandos”, ou seja, apenas uma passagem ascendente ou descendente uniforme de som sem nota definida (mais conhecida pelos guitarristas pela expressão “slide”). Exercícios de respiração com o uso da musculatura intercostal também são fundamentais para o controle correto da respiração e emissão vocal.

Agudos: Falsetto, Belting

e Head-voice


Belting

Canto belting - ou “rock style” - é o famoso canto americano à la Broadway. Nele a laringe se contrái e as pregas vocais também ficam tencionadas, o que produz um canto vigoroso, com bastante emissão vocal e brilho. O belting é quase totalmente realizado com emissão de peito (torácica), no que chamamos de “voz plena” (ou seja, sem falsete ou head-voice).

A voz de peito é predominantemente de caráter masculino, enquanto que a voz de cabeça (head-voice) é de abrangência feminina. O que não significa que homens não consigam atingir a voz de cabeça, e nem que as mulheres não registrem voz de peito.
Na voz cantada até os “baixos” (os mais graves do gênero masculino) alcançam voz de cabeça em seus tons mais agudos e, os “barítonos” e “tenores” o fazem com mais facilidade, por serem, naturalmente, menos graves.

As “sopranos” (as mais agudas do gênero feminino) também chegam à voz de peito se trabalhar nos extremos de seus tons mais graves.
As “mezzo-sopranos” e as “contraltos” atingem-os com maior facilidade.

Como todos os tipos de vozes têm notas graves, médias e agudas, devemos sempre fazer estas considerações: Na emissão de peito sentimos a vibração sonora no tórax (colocando a mão no peito você poderá sentir facilmente), enquanto que na voz de cabeça sentimos a ressonância em sua caixa craniana. As pessoas que não estão acostumadas ou condicionadas à voz de cabeça (tons agudos) podem sentir uma leve tontura, e até mesmo dor de cabeça.

No belting é imprescindível uma posição de laringe ligeiramente ELEVADA (ao contrário do canto lírico, onde a laringe é geralmente mais baixa), grande espaço faríngeo (assim como no canto lírico) e a língua também ligeiramente ELEVADA (ocasionando os “ii” característicos dos “belters”), um grande apoio respiratório e ancoragem.
“Ancoragem” significa uma grande atividade específica dos músculos extrínsecos da laringe, do pescoço e torso, atenuando o esforço das pregas vocais.
Outros aspectos importantes são a constrição ariepiglótica (isto é, a aproximação entre epiglote e aritenóides) e a fase de fechamento da glote mais LONGA do que no canto lírico, gerando em conseqüência uma maior intensidade vocal. Deve haver, também, maior pressão aérea subglótica, e alguns defendem que a respiração muito baixa é contra-indicada por induzir à depressão da cartilagem laríngea (bastante prejudicial á voz).

Tudo isso gera, obviamente, modificações importantes no trato vocal, ou seja, na ressonância/qualidade da voz.

Head voice

No canto lírico, o que não for modal (voz de peito) e cair no agudo serão ou falsete, ou voz de cabeça. Tanto o falsete quanto a “voz de cabeça” (head voice) podem se enquadrar na mesma categoria, entretanto, o termo "voz de cabeça" (usado para homens no canto lírico) é quando a ressonância da voz praticamente desaparece do tórax (característico da voz de peito comum) por ter sido propositadamente direcionada para a caixa craniana do intérprete.

Basicamente é uma “voz mista” com harmônico, ou seja, sempre que você cortar a emissão de peito sem falsete (“quebra de voz”) você irá para a ressonância “de cabeça”.


Diferente do falsete, na voz de cabeça a laringe se contrái, e as pregas vocais ficam ao mesmo tempo abertas e relaxadas. Isso ocorre rápido, e esse reajuste (passagio) é bastante complexo, e exige treino e atenção. O som que se emite nessa transição é uma “voz mista”, ou seja, a voz soa bastante aguda como em falsete, mas com muita emissão como no registro pleno de peito. Por isso é tão confortável cantar nesse registro quando devidamente colocada a voz.

A voz de cabeça é uma técnica fundamental, visto que sem ela você perderá quase uma oitava de sua tessitura vocal.

O canto parte da voz modal (excluindo o registro basal – conhecido como “fry”) do grave, e vai tencionando enquanto se sobe o tom.

Quando passamos pelo Dó central (do3) a passagem ocorre ou irá ocorrer (depende do naipe de voz do artista). No ponto exato antes da passagem as pregas vocais estão tencionadas, e a laringe aberta.



Apogiatura

Pequena nota escrita rapidamente antes de outra (a nota principal) e cuja execução é feita à custa do tempo da nota principal ao qual está ligada. É praticamente uma “nota fantasma”, por ser uma nota muito breve usada apenas de passagem. Geralmente é uma nota um tom, ou meio-tom acima.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A VERDADEIRA HISTÓRIA SOBRE O PLANETA TERRA - PARTE II - CHEGA NIBIRU



 (Nova York - Dezembro de 2021)



- Muuito boa noite a todos! Eu sou William Shears...

- E eu sou Billy Campbell.

- Nós estamos ao ar novamente - ao vivo!... - e eu sei que todos estão muito ansiosos por saber o que esta noite bastante nevosa (e exageradamente fria, eu devo dizer...) de dezembro nos traz, não é mesmo, Bill?

- É isso, mesmo, Will.

- Nossa primeira reportagem é: “Nibiru, qual será a verdade?”, e hoje teremos aqui em nossos estúdios algumas participações muito especiais e que, com certeza, irão estarrecer aos nossos queridos telespectadores, não é verdade, meu caro Bill?

- Sim, Will. Falaremos com Fred Labour, com nossa repórter Shirley West, e uma inesperada surpresa no final deste programa...

- Surpresa? Que tipo de surpresa? Será que estamos falando de algum dos representantes dos homens lagartos, Bill?

- Bem... Como eu já disse, será uma surpresa, Will.

- Mas é claro... Me desculpe!... Ahãn... Bem, estamos recebendo uma transmissão ao vivo de Liberty Island, e Shirley West tem para os nossos telespectadores novas notícias sobre o recente ataque ao maior símbolo de nossa nação... Senhorita Shirley, muito boa noite...

- Obrigado, William. Estou falando ao vivo de Liberty Island, e a visão que eu tenho, agora, é absolutamente inacreditável, rapazes... Há cerca de quatro horas atrás, um ataque terrorista de origem desconhecida destruiu a cabeça de nosso maior símbolo: A estátua da liberdade. Os escombros que vocês estão vendo agora são tudo o que restou da explosão. Algumas testemunhas estão dizendo que o ataque veio do alto... E aparentemente por objetos voadores desconhecidos...

- Perdão, Shirley, mas espere só um momento... Será que eles estão querendo dizer que se trata de um ataque empreendido pelos Draconians?

- Aparentemente, sim, senhor.



- Bom, para você que ligou o seu televisor agora, faremos um breve resumo dos acontecimentos em as últimas quarenta e oito horas: Nibiru, que todos pensávamos se tratar de uma estrela – ou asteróide – revelou-se nesta última quarta-feira como sendo uma espécie de “Nave-mãe” gigantesca de uma raça humanóide vinda de uma galáxia vizinha conhecida como Zeta II Reticuli, que fica a exatos trinta e sete anos luz do planeta Terra.

Como nossos telespectadores vêem acompanhando, os tripulantes dessa espécie de “nave” são inteligentes, e aprenderam muitos dos nossos idiomas. Não possuem aparelho fonético similar ao nosso que os permitam falar, por isso apenas se comunicaram até agora conosco através de mensagens escritas mandadas de alguma forma desconhecida para a web da Terra.

Aparentemente, rapidamente assimilaram nossa tecnologia computadorizada e estão estabelecendo comunicações esporádicas conosco há pelo menos quarenta e duas horas, mas as únicas coisas que nos chegaram até agora foram algumas mensagens de difícil compreensão. Aparentemente, eles ainda não possuem o completo domínio da nossa linguagem humana...

- E quais foram as mensagens deles pra nós, até agora, Will, poderia nos dizer?

- Bem, a primeira delas foi esta: “HOMEM - TECNOLOGIA - DESTRUIR”. A segunda: “PLANETA - DOENTE - LIMPAR”. A última que nós recebemos dizia “ABRIGO - SUBTERRÂNEO - ENCONTRAR”. Isto me parece ser algum tipo de “jogo de palavras”, não é mesmo, meu caro Bill?

- Aparentemente, sim, Will... Mas vamos voltar para nossa a belíssima repórter Shirley, que parece ter algumas novidades para nós... Shirley, é com você, querida.

- Muito obrigado, Billy. Agora a pouco aconteceu algo inesperado, rapazes: Pela primeira vez, em meses, Nibiru está saindo de sua posição a noroeste, e parece estar se aproximando... Será que eles estão...



(SSCRAAAAATCHHH)

(fim da transmissão)



2021 FOI UM ANO TERRÍVEL PARA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE.


FOI O ANO EM QUE AS CALOTAS POLARES PRATICAMENTE DESAPARECERAM. PAÍSES DESENVOLVIDOS CONTINUAM ARREMESSANDO GIGANTESCOS BLOCOS DE GELO EM O OCEANO ATLÂNTICO PARA TENTAREM CONTROLAR O CLIMA, MAS A SITUAÇÃO ESTÁ CADA VEZ MAIS FORA DE CONTROLE.


ENTÃO SURGE NO CÉU UMA GRANDE ESTRELA, BATIZADA PELA MÍDIA DE “NIBIRU”, QUE A CADA SEMANA PARECIA (E DE FATO ESTAVA) ESTAR MAIS PRÓXIMO DE A ÓRBITA DA TERRA. A INTERNET PASSOU A CENSURAR OS MAPAS CELESTES PARA NÃO ASSUSTAR A POPULAÇÃO, MAS JUSTAMENTE ESSA MEDIDA PREVENTIVA COLABOROU PARA AUMENTAR UM SILENCIOSO PÂNICO QUE RAPIDAMENTE SE ALASTROU. COMO UM VÍRUS. 


VÁRIOS PAÍSES RESOLVERAM ESTOCAR - EM IMENSOS E INEXPUGNÁVEIS FRIGORÍFICOS CRIOGÊNICOS - MILHARES DE SEMENTES DE ALIMENTOS, E LOGO COMEÇOU A FICAR CADA VEZ MAIS COMUNS OS INVESTIMENTOS DE OS MAGNATAS TERRESTRES EM CONSTRUIREM PARA SI MESMOS (E PARA SUA ABENÇOADA FAMÍLIA) IMENSAMENTE LUXUOSOS E CONFORTÁVEIS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS, INAUGURANDO UM NOVO “MUNDO”... UM NOVO MUNDO SUBTERRÂNEO, HABITADO APENAS POR UMA MINORIA PRIVILEGIADA.


NO DIA 22 DE DEZEMBRO DE 2021 O MUNDO INTEIRO ESTREMECEU AO RECEBER A PRIMEIRA COMUNICAÇÃO VINDA DE UMA INTELIGÊNCIA NÃO-TERRESTRE DIRECIONADA Á TERRA. NESSE MESMO FATÍDICO DIA, A “ESTRELA” CONHECIDA COMO “NIBIRU” APROXIMOU-SE DE A ÓRBITA TERRESTRE, DIRECIONANDO-SE Á NOVA-YORK.


DEZ HORAS DEPOIS, A CASA BRANCA RECEBEU SUA TERCEIRA MENSAGEM, E A GRANDE ESTÁTUA SÍMBOLO DE OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA TEVE SUA CABEÇA DESTRUÍDA POR ALGUM TIPO AINDA DESCONHECIDO DE ARMA...


NA DATA PRESENTE, AS REDES DE ENERGIA ELÉTRICA DE CENTENAS DE MILHARES DE CIDADES DO MUNDO FORAM INTERROMPIDAS DE FORMA DESCONHECIDA, E O QUE COMEÇOU COM APENAS UM CONTRATEMPO, POUCO A POUCO COMEÇOU A SE TRANSFORMAR EM PÂNICO, VISTO QUE MAIS DA METADE DO MUNDO ESTÁ SEM ENERGIA ELÉTRICA HÁ PELO MENOS OITENTA E OITO HORAS, E SAQUES, ASSALTOS E TODO TIPO DE VANDALISMO JÁ COMEÇOU A FICAR FREQÜENTE EM AS GRANDES CIDADES DE TODO O GLOBO.


E AGORA, PARA COMPLETAR, CENTENAS DE OBJETOS EM FORMATO DE CUBOS RELUZENTES PULSANTES DE PELO MENOS TRINTA METROS DE COMPRIMENTO COMEÇAM A PAIRAR POR SOBRE AS CASAS, POR TODO O PLANETA TERRA...






VISITAS INESPERADAS
(Em algum lugar da Terra)


     O homem já caminhava a tanto tempo pela estrada - em meio á completa escuridão de uma noite chuvosa sem lua, ou estrelas - que começava novamente a sentir aquela já familiar e extremamente desagradável pressão sufocante em seu peito, acompanhada por uma acentuada fadiga, e uma latejante e aguda dor em seu ombro esquerdo.  “Meu coração...” pensou ele, e resolveu parar. “Pelo menos um pouco”. Dion era cardíaco. Aos trinta e oito anos desenvolveu uma arritmia que, somada à sua hipertensão, deixou-o com seu coração em frangalhos. A qualquer momento ele poderia sofrer um infarto. De fato, a escuridão não se devia apenas á noite sem luas ou estrelas, mas antes ao fato de que o vilarejo inteiro estava sem energia elétrica. Um violento blecaute, ocorrido à pelo menos umas trinta e cinco, ou trinta e seis horas atrás...



    Levava em suas mãos um pequeno guarda-chuva ainda fechado, por mais que uma fina garoa caísse intermitente há pelo menos vinte minutos. Aguardava o momento em que a chuva finalmente rebentasse para poder abri-lo, pois sabia que o vento forte que soprava tornaria sua caminhada ainda mais sofrida, tentando arrancá-lo de sua mão. Apesar de rala, a fina chuva já havia umedecido completamente seus cabelos, e embaçado completamente seus óculos. “Já estou perto da vila”, pensou, “de lá vou poder ver se em a cidade há luz”. Levantou-se novamente - quando seu coração pareceu estar descansado novamente - e voltou a caminhar. Quase simultaneamente a chuva piorou, começando a cair em grandes proporções.



    Chegando ao centro da vila, percebe que tudo está, também, ás escuras. Nenhuma loja, nenhum comércio... Nenhuma casa aberta. Entretanto, olhando mais atentamente Dion percebe que o mercado, apesar de totalmente ás escuras, está com a porta da frente escancarada. Repara, então, que espalhados pelo asfalto estão alguns produtos menores ainda lacrados em suas embalagens, como buchas de lavar louças e sabonetes. O mercado fora recentemente saqueado. Lembra-se com temor de sua irmã e de sua tia, que ficaram sozinhas em sua casa, mas que a essa altura já deveriam estar dormindo. “Espero que sim...”, pensa consigo mesmo. Olha para as casas. Quase todas parecem vazias. Dion está há pelo menos uma hora caminhando, e não se encontrou com absolutamente ninguém mais andando pelas ruas. Todos deveriam estar amedrontados pela falta de energia elétrica. Até mesmo os cachorros das casas em que ele sempre passava - e que sempre ladravam para ele – estavam acovardados pela escuridão. O temporal colaborou para deixar o clima ainda mais sinistro. Dion escutava apenas o ruído de seus passos, pela estrada cheia de poças d`água. Tudo estava tão quieto, parecia que na verdade o vilarejo todo estava abandonado, e que ninguém mais o habitava, tamanho o silêncio que imperava por toda a parte. Passou pelo centro da vila, e dirigiu-se para a cidade. Nada. Ninguém. Pega a estrada de terra em direção á cidade, com a vã esperança de conseguir alguma carona. Alguns carros passam, apressados, mas nenhum deles pára. Em vinte minutos, Dion alcança a estrada de asfalto, e detêm-se novamente para descansar um pouco... Talvez tentar utilizar algum telefone público. Vê um orelhão, e decide ligar para casa. Seu cartão é recusado. Brigando com o vento, que insiste em lhe tentar arrancar o guarda-chuva, retoma sua caminhada em meio á escuridão. “Parece que só eu tive coragem de sair a pé”, pensa, “nem mesmo um marginal parece ter coragem de caminhar, assim, a essa hora, nessa maldita escuridão”, diz para si mesmo. Dion (apesar de seu coração doente) sente-se confiante, pois sabe muito bem que ele não é nenhum senhor indefeso, e porque, além disso, leva consigo no bolso direito de sua blusa seu taser de 3.800 K.volts. “Será que eu posso usá-lo na chuva?”, pensa, inseguro. Aparentemente não seria uma boa idéia. Mais um carro passa e, apesar dos sinais feitos por Dion, ele nem ao menos ameaça parar. “Desgraçado”, pensa ele, furioso, “Fica com seu maldito carro, miserável, e vá com ele para o inferno!”, desabafa em voz alta.



    Súbito, Dion é interrompido de seus pragueios por uma forte luz que brilha atrás dele, vira-se, e então a dor em seu ombro volta, junto com uma forte taquicardia gerada pelo pânico: Um gigantesco cubo de trinta metros de altura paira no céu (a mais ou menos uns sessenta metros de altura do chão) brilhando com uma forte e azul-esverdeada luz pulsante. Dion olha para seu redor e vê que existem mais quatro cubos iguais espalhados ao seu redor, pelo céu, e então ele senta-se de cócoras e começa a tentar controlar sua respiração, que começa a ficar ofegante. Percebe, então, que sua pressão está extremamente alta, e essa consciência o faz sentir-se ainda pior, e então náuseas lhe invadem, e sua mão recomeça a transpirar. Dion cai ao chão em meio á escuridão e á chuva, com seu coração sofrendo um infarto de miocárdio, e a última coisa que ele vê antes de desfalecer são dois dos cubos pulsantes aproximando-se de uma residência, e Dion fica escutando aos gritos de pânico de as pessoas que lá estavam, com sua dor ficando cada vez mais intensa, e as imagens e sons ficando cada vez mais distantes...


(fim do capítulo)



NO DIA TRINTA DE DEZEMBRO DE 2021, A TRIPULAÇÃO DE NIBIRU JÁ HAVIA DESTRUÍDO A PELO MENOS QUATROCENTOS E SESSENTA E SEIS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS.

AS PRINCIPAIS FÁBRICAS CONSTRUTORAS DE AUTOMÓVEIS, E CENTENAS DE MILHARES DE POSTOS DE COMBUSTÍVEL E USINAS DE PETRÓLEO TAMBÉM FORAM DESTRUÍDOS.


COM AS CIDADES SEM ENERGIA ELÉTRICA TORNOU-SE COMUM O SAQUE A SUPERMERCADOS E FARMÁCIAS, E TODA A POPULAÇÃO Á NOITE ISOLAVA-SE EM SUAS CASAS, COM O MEDO CONSTANTE DA INVASÃO DE BANDIDOS.

DEPOIS DE QUASE UM MÊS DE BLECAUTE, NA ESCURIDÃO COMPLETA, AS NOITES SE CONVERTERAM EM UM MATADOURO PERFEITO PARA OS CRIMINOSOS. AS PESSOAS JÁ ESTAVAM VIVENDO EM UM CLIMA QUE MUITO POUCO JÁ SE APROXIMAVA DE A ANARQUIA DA IDADE MÉDIA, COM AS AUTORIDADES MUITO POUCO FAZENDO PARA REMEDIAR A CALAMIDADE. APARENTEMENTE, ESTAVAM MUITO OCUPADOS EM TENTAREM SALVAR PELO MENOS A ELES MESMOS...




ATÉ QUE FINALMENTE ACONTECE O QUE TODOS ESPERAVAM.


A CASA BRANCA LIBERA, E UM ENORME ENXAME DE MÍSSEIS NUCLEARES COM DESENHOS DA BANDEIRA AMERICANA É LANÇADO AO MESMO TEMPO NA DIREÇÃO DE NIBIRU, CAUSANDO UMA EXPLOSÃO NUCLEAR TÃO DEVASTADORA QUE ASTERÓIDES GIGANTESCOS ATINGIRAM A TERRA, COM ALGUNS DELES DESTRUINDO CIDADES INTEIRAS. MILHARES DE MILHARES DE PESSOAS MORRERAM, MAS NIBIRU FOI (MUITO MAIS RAPIDAMENTE DO QUE SE ESPERAVA) EFICAZMENTE DIZIMADO.


APARENTEMENTE, NEM MESMO OS SERES HUMANOS TINHAM IDÉIA DO QUÃO DESTRUIDOR E HORRÍVEL TODO AQUELE ARMAMENTO NUCLEAR ERA. OS “DRACONIANOS” TAMBÉM.


O “CUBOS” QUE RESTARAM RAPIDAMENTE BATERAM EM RETIRADA, E A CENA QUE RESTOU FOI A DE UM PLANETA SEMI-DESTRUÍDO COBERTO POR UMA NUVEM INTERMINÁVEL DE POEIRA RADIOATIVA.


TRÊS BILHÕES DE PESSOAS MORRERAM, MAS O PLANETA RESISTIU.


OS ATAQUES ALIENÍGENAS FORAM TODOS DIRECIONADOS A ALVOS ESPECÍFICOS: OS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS DOS MILIONÁRIOS MONOPOLIZADORES, FÁBRICAS DE AUTOMÓVEIS, USINAS DE ENERGIA, REFINARIAS DE PETRÓLEO E POSTOS DE COMBUSTÍVEIS.


O MUNDO FICOU REDUZIDO A ESCOMBROS, MAS ALGUNS POUCOS PAÍSES DO PLANETA ACABARAM FICANDO A SALVO, MILAGROSAMENTE, DA POEIRA RADIOATIVA DA GUERRA NUCLEAR, E UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO PÔDE SER RECONSTRUÍDO, POUCO A POUCO, PELOS SOBREVIVENTES.
UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, SUJO E DESTRUÍDO, MAS APARENTEMENTE ERRADICADO DE SEUS ANTIGOS DOMINADORES: OS MAGNATAS.

FIM




EPÍLOGO:

Dion despertou e viu que estava deitado no chão, em frente ao portão de sua casa. Sua roupa ainda estava úmida e sua cabeça doía muito, mas ele achou que o mais estranho de tudo isso era ele ainda estar vivo. “Estranho... achei que tinha morrido...” disse para si mesmo, mas no fundo sentia-se bastante bem. A dor em seu peito desaparecera. Então reparou no céu. Estava horrível. Uma nuvem marrom infinita cobria todo o horizonte. Ao seu redor, tudo parecia estar em tons amarelos. No ar, uma atmosfera abafada e acre. No entanto, ele estava vivo, e aparentemente sua irmã e sua tia, também. Sentiu-se muito bem quando avistou as duas na cozinha, ao longe, tomando café e conversando baixinho, e então deu graças á Deus que ainda havia pelo que lutar. Sabia (inexplicavelmente) que seu coração estava curado (ele apenas sabia), e tateando com a mão direita em torno de seu peitoral esquerdo Dion sentiu algo duro, pequeno e cilíndrico, por baixo da pele. Era do tamanho de uma pílula. Respirou fundo, viu que a taquicardia desaparecera, e então abriu o portão de sua casa e pensou no gigantesco abraço que daria ás duas pessoas mais importantes do mundo para ele: Sua irmã e sua tia. As únicas pessoas que ele tinha. Sua única família. Nada mais no mundo, para ele, tem alguma importância.



Apenas protegê-las.



 *




"Um corpo celeste possivelmente tão grande como Júpiter e tão próximo da Terra que pode ser parte deste sistema solar foi encontrado na direção da constelação de Orion, por um telescópio em órbita. 
Tudo o que posso dizer é que nós não sabemos o que é isso."

Gerry Neugebauer, cientista chefe do IRAS (Infrared Astronomical Satellite)











terça-feira, 23 de outubro de 2012

O DIABO EXISTE?




“Existe o mal?”


     Esta é a principal indagação feita por  “Damiel” (Bruno Ganz), o protagonista e narrador de a história do belíssimo filme alemão “Asas do Desejo”, feito pelo genial Win Wenders. Damiel, na verdade, não é um ser humano. Damiel é um anjo. Ele é um anjo que – como todo anjo obviamente deveria ser para exercer sua função de maneira satisfatória – ama apaixonada e incondicionalmente ao ser humano, chegando ao extremo de decidir abandonar a seu cargo de “sentinela d`a humanidade” para vestir a “armadura de carne” dos homens e – pela primeira vez em sua angelical existência – “viver”. Viver como um homem comum.



     O que mais me interessou em esse filme tão especial é exatamente essa essência, que é a gigantesca ternura que Damiel sente incondicionalmente pelas pessoas, e por seus casuais e amenos cotidianos. O anjo, desde o início, descreve para o seu amigo (“Cassiel”, outro anjo, evidente) de as coisas que ele pensa serem as mais poéticas e belas e – surpreendentemente – não são as mais transcendentais, nem as mais importantes, e nem ao menos as politicamente corretas. Ele se interessa pelos detalhes que qualquer ser humano normal veria como fútil, previsível ou banal. Um dos exemplos de que ele descreve é o seu carinho especial pelos cumprimentos comuns de acenos de mão entre os homens que apenas se conhecem superficialmente.



     E justamente essa sua essência (de essa apologia explícita á existência física humana e, conseqüente e inevitavelmente – á própria matéria) é particularmente notável por ela ser totalmente contrária ao supremo dogma cristão e hindu, que é a total rejeição aos “prazeres terrenos” e - em vez disso - glorificá-los, reverenciá-los. Ele não busca as grandiosas obras, os mais árduos feitos, realizações e/ou acontecimentos. O anjo vê o carinhoso prazer de um suave vento no rosto. Ele vê a ternura de sorver o líquido de um determinado fruto, com seu especial e único sabor.




     E tudo isso é particularmente intrigante pelo fato de que se analisássemos a esse filme pela ótica cristã e – até mesmo – católica, tal “anjo” seria, na verdade, um verdadeiro demônio (repare que no filme todos os anjos se vestem de negro). A matéria é vista pelo cristianismo como o reino do mal, como o próprio “demônio” descreve em a bíblia para o seu principal “opositor”, o jovem chamado Jesus. Mais ainda: analisando pela ótica hindu, tal filme pareceria ainda mais subversivo e maligno por glorificar à “Maya”: Para os hindus, a matéria é chamada de Maya, e é ela que engana e corrompe o ser humano. Maya é uma palavra sânscrita que significa “ilusão”.



     Mas, é certo um anjo ver beleza em a vida humana? Querer até mesmo ser um deles? Em uma das primeiras cenas Damiel se interessa por uma simples caneta, e agarra-a para analisá-la. Quando ele a “pega” fica evidente tanto a sua própria imaterialidade, quanto ao fato de que na verdade ele não “agarra com sua mão” à caneta, e sim ele simbolicamente agarra seu mero aspecto morfológico: seu mero “molde físico”. Seria fácil uma pessoa interpretar a isso erroneamente como sendo a “alma da caneta” aquilo que Damiel agarra.



“Eu quero lutar por uma história minha.


Quero entrar para a história do mundo... Ou apenas segurar uma maçã.”




      E, então, chegamos ao principal, e que é dito pelo narrador no começo do filme de forma aparentemente desinteressada, casual, mas que resume de forma absoluta a verdadeira mensagem do filme, que é a não existência de um mal.




     É possível existir Deus, mas não existir a um mal. A idéia de o dualismo, de que se existe o bem, têm de existir a um mal, pode – e talvez devesse - ser contestada. O “mal” pode ser visto mais especificamente como um “erro”, e até mesmo como “irreal”. Pelo hinduísmo, “Maya” (a realidade) é ilusão. De acordo com “Der Himmel über Berlin”, apenas o “mal” é uma ilusão. Tudo o mais (desde um feroz trovão, á pequenina risada de um bebê) são não apenas reais... Mas puros, imaculados: únicos e sagrados. Mesmo uma mentira pode ser linda ou poética.



“Eu não quero gerar um filho, e nem mesmo plantar uma árvore”, nos diz o anjo. “Mas seria agradável chegar em casa cansado no final do dia, e dar de comer ao gato”.



     “Deus” existe. E “Ele” existe apenas porque existe a bondade, existe a ternura, existe a poesia, e existe a beleza. Não é por isso que deve existir a isso – inevitavelmente - uma oposição. “Diabo”, “demônios”, são apenas símbolos de erros, de efeitos colaterais, e da raiva. São “fantasmas”.

O “mal” não existe. Só o Amor é real.






“Como devo viver?


Talvez não seja essa a questão e, sim...


Como devo pensar?”


Marion






dualismo. [De dual + -ismo.] S. m. 1. Filos. Doutrina que, em qualquer ordem de idéias, admite a coexistência de dois princípios irredutíveis. Ex.: dualismo do bem e do mal. 2. P. ext. Coexistência de dois princípios ou posições contrárias, opostas.

semiótica. [Do Gr. semeiotiké, i. e., téchne semeiotiké, ‘a arte dos sinais’.] S. f. 1. Denominação utilizada para a ciência geral do signo, que estuda os fenômenos culturais como se fossem sistemas de significação, i. e., sistemas de símbolos.






*


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

TURBINE SEU COMPUTADOR DE GRAÇA - PARTE DOIS, A MISSÃO



Vocês se lembram daquela minha reportagem sobre “como aumentar a velocidade do seu PC sem gastar um centavo”? Pois bem, andei aprendendo mais algumas dicas, que são as que seguem:


1-      O Malwarebytes éum programa excelente para achar e destruir worms e outras porcarias, mas ele é um auto-executável e, conseqüentemente, consome memória RAM. Ou seja, instale-o, utilize-o, e depois desinstale-o novamente. Minha dica: Instale-o periodicamente a cada um ou dois meses, aí você simultaneamente sempre vai ter uma versão atualizada dele!


2-      Entre os programas demanutenção, dois são os mais “top”: o Advanced System Cleaner 5 (PRO, claro, a versão gratuita está cheia de limitações propositais...) e o Tune Up System Cleaner. Esse último é o mais fodástico de todos, e justamente por isso ele também é o mais pesado e (o que é pior) ele é um auto-executável muito pentelho. Mesma dica do Malwarebytes: UTILIZE-O UMA VEZ, E DEPOIS JOGUE-O FORA A CADA DOIS MESES.


3-      Sempre que o computador começar a dar aquela bendita “travada”, dê o comando ALT-CONTROL-DEL e dê uma olhada no gerenciador de processos. Se você estiver usando o CHROME (que é o navegador que eu ainda continuo aconselhando, mas agora também recomendo o SAFARI) vai ficar fácil ver se tem alguma coisa estranha consumindo sua memória, ou seja, algum spyware ou coisa pior. Eu vou na roleta russa, e finalizo os processos cujo nomes me parecem estranhos (no começo eu fiz umas “cagadas”, mas o máximo que acontece é você ter que reinicializar o seu PC. E, com o passar do tempo, você acaba se familiarizando com os nomes das extensões essenciais e vai perceber quando tiver algum “intruso”. Vai por mim.


4-      O GOOGLE CHROME realmente é o Browser mais leve,mas o SAFARI é mais rápido. Experimenta ele, e vê o que você acha. Vai por mim, esquece a porcaria do Mozzila Firefox e, principalmente, o Explorer! O Explorer é que nem o Windows Media Player: Só serve pra quebrar o galho quando você não tiver mais nenhum outro programa.


5-      E falo de novo: Se você quer velocidade, não mantenha instalado nenhum anti-vírus. Use-o e jogue fora, também. Mas fica esperto onde você mete seu mouse rsrsrsrrs.