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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A VERDADEIRA HISTÓRIA SOBRE O PLANETA TERRA



Escrito e idealizado por Herácides Gimenez, luccido e exaltado reptiliano



Parte um: A Estrela que cai, ou o “Anjo Caído”


Era uma vez um pequeno planeta, filho de uma pequenina estrela amarela chamada “Sol”. Nesse planeta, talvez devido á alta quantidade de moléculas de hidrogênio e de oxigênio dispostas em sua superfície, originou-se uma grande quantidade de água, tão grande que esse planeta - visto de longe - era azul.


Um dia chegaram a esse planeta seres muito inteligentes vindos de alguma galáxia vizinha, que perceberam como esse planeta possuía características ótimas para ser uma colônia habitada: Sua órbita não estava nem muito próxima e nem muito distante de sua estrela, e ele possuía uma riqueza tão vasta de elementos químicos em sua constituição que qualquer coisa poderia ser criada lá. Até mesmo a vida.


Esses visitantes eram muito estranhos, mas muito inteligentes e também muito bonitos. Andavam sobre as duas patas posteriores, e possuíam a pele verde e cheia de escamas. Alguns deles até possuíam cauda. Seus olhos eram muito grandes e brilhantes, e chamavam a si mesmos de “Drakonians”. Eles eram bonitões, sabidos e valentes.


Em muito pouco tempo, povoaram esse pequeno planeta azul com milhares de seres parecidos com eles, mas que não eram inteligentes. Criaram seres de escamas, também, mas que eram muito grandes e bobões. Esses seres eram usados como alimentos, e também para experiências de laboratório. A primeira delas era para ver se esse planeta poderia abrigar répteis, que possuem sangue frio. E quais doenças eles poderiam adquirir por ali.


Tudo estava indo muito bem, até que em um belo dia uma gigantesca pedra chocou-se com esse planeta, enquanto os drakonians estavam viajando. Essa pedra (asteróide) era tão grande, mas tão grande, que o barulho e o tremor produzidos pelo impacto quase deu para ser ouvido do outro lado desse mundo. Esse asteróide grandão matou muitos bichos que estavam por perto, mas o estrago maior ele só causou depois. Muitos milhares de anos depois, esse asteróide foi batizado de “Nemesis”.


No buraco que ele (Nemesis) fez, subiu uma nuvem de poeira tão densa e escura que essa nuvem (acredite se quiser!) tapou o céu desse planeta inteirinho! E como a luz daquela estrelinha amarela (o Sol, lembra?) não podia mais atravessar essa cortina de sujeira que se formou, todo o planeta Água (era assim que os drakonians chamavam esse planeta, por ele ter tanta água que era azul) virou uma enorme geladeirona, de tão frio que ele ficou. E então todos os bichos que eles haviam criado morreram congelados, coitados. Todos eles. Não sobrou nem unzinho sequer.


Mas olhem como tudo tem o seu lado bom: Essa poeira preta de sujeira que deixou esse planeta tão frio que matou todos os bichinhos dos Drakonians ficou girando em volta desse planeta durante centenas de anos, e foi pouco a pouco se juntando, devagarzinho, até que toda essa poeira se condensou em uma grande bola de pedra que nunca mais parou de girar em volta dele. Olhem só que coisa maluca! Essa bolona de pedra foi, muitos milhares de anos depois, batizada de “Lua” (não me perguntem por quê!)...




Parte dois: A chegada dos “Adanians”


Durante muitos anos os Drakonians se esqueceram do planeta Água (porque ele estava muito frio) e nem chegaram a perceber que ele já havia esquentado de novo. E então chegaram outros vizinhos. Esses eram mais tímidos (usavam roupas), possuíam uma pele fina e de várias cores (alguns eram de pele branca, outros eram pretos), alguns tinham pêlos e cabelos, outros não, e diziam que eram filhos de uma raça que chamavam de “Adanians”, ou filhos de Adan. Eles não eram tão espertos, fortes ou bonitos quanto os Drakonians, mas eram mais bonzinhos. Na verdade, acho que eles nem sabiam que os Drakonians já haviam descoberto antes o planeta Água, por isso eles acabaram ficando (os Adanians têm muito medo dos Drakonians, com toda a razão). E então, quando os Drakonians ficaram sabendo que os Adanians haviam feito uma colônia no planeta Água - e que suas crias já estavam aprendendo a falar - ficaram muito zangados. Muito, muito zangados.



E foi então que fizeram um plano. Trouxeram escondidos para o planeta Água uma máquina gigante, que fez um furo tão grande no planeta que esse furo chegou até o núcleo de lava no centro dele! Então eles ligaram a máquina, e a bola de fogo que fica no meio do planeta esquentou tanto, mas tanto, que o planeta começou a inchar como um balão! Inchou tanto que ele rachou, e as partes secas dele começaram a se separar. Quando isso aconteceu, acabou sendo destruído (acho que os Drakonians fizeram isso de propósito) a cidade mais bonita do planeta Água, que era habitada pelos bichos mais inteligentes dos Adanians. Essa cidade, se não me engano, era chamada de “Atlas”, ou “Atlantis”, não me lembro mais com certeza... Mas o problema principal é que isso fez com que ocorram ocasionalmente tremores nessas rachaduras até hoje, nesse planeta. Uma pena!...



Com toda essa confusão os Adanians foram embora assustados (sabiam que isso era obra dos Drakonians e fugiram apavorados) e então os Drakonians resolveram que em vez de expulsarem os descendentes dos Adanians (que eram chamados de “Humanus”), eles iriam ensiná-los (aos poucos que quisessem) seus costumes. E foi o que fizeram.



Como os Drakonians eram muito diferentes dos Adanians e dos Humanus (por possuírem sangue frio, escamas, caras de lagartos e por serem verdes) eles resolveram aparecer para os Humanus usando grandes máscaras, para não assustá-los tanto. E então fizeram essas máscaras copiando as caras dos bichinhos que os Adanians haviam inventado para fazerem companhia e servirem de alimento e trabalho para eles: O Drakonian chamado Ra usou uma máscara que imitava uma águia, o que se chamava An-Ubis colocou uma que imitava um coiote, e por aí foi. Ensinaram-os a construírem casas parecidas com as deles (em formato piramidal), a transformarem pedras e grãos que se encontram pelo chão e na beira dos rios em armas de metais, e quais eram as plantas que curavam e quais as que matavam, traziam doenças, ou eram portais para outras dimensões, além de muitos outros ensinamentos bem legais.



Até que, em um belo dia, os Adanians resolveram mandar um filho escondido ao planeta Água para também ensinar aos Humanus. Para fazê-lo, o chefe dos Adanians resolveu que precisaria de uma amostra genética que fosse grande e consistente o bastante para poder ser usado em muitos experimentos, e (claro) que não fizesse tanta falta posteriormente ao seu dono.



Calculou que uma de suas costelas flutuantes poderia ser facilmente removida cirurgicamente, sem muita dor e/ou complicações. Fizeram uma inseminação artificial em uma “humana”, e no dia do nascimento da criança desceram com uma nave até bem perto do local para verem o nascimento (a nave foi confundida por uma estrela pelos “humanos”). Essa criança foi chamada de “Ieshoua”, se não me engano. Era um rapaz muito especial, de grandes olhos tristes e voz calma e melodiosa, bonito como o mais bonito dos Adanians eram. Pelo plano dos Adanians, essa criança logo se tornaria um homem que deveria ensinar aos “humanus” a serem pacíficos, e ao mesmo tempo não acreditarem nos ensinamentos dos Drakonians, que falavam em “deuses” e “igrejas” e “templos”... Claro que esse Ieshoua foi castigado, condenado injustamente e assassinado.



Os Adanians, quando viram que os Humanus judiaram sem piedade do filho amado que eles mandaram para salvá-los, então decidiram que os Humanus já estavam degenerados pelos Drakonians e que deveriam, também então, serem exterminados para darem lugar a algo melhor. Aí, quando a nave dos Adanians já estava bem próxima e preparada para começar a disparar e acabar com tudo, Ieshoua olha para cima e pede aos Adanians: “Perdoai-os, eles não sabem o que fazem.” E como os Adanians amavam muito ao seu filho amado Ieshoua, fez o que ele pediu e poupou a vida daqueles seres ignorantes, apenas destruindo um templo que ficava próximo, como prova de seu poder. Ieshoua foi morto, mas a sua morte transformou-o em um mártir, e depois que os Adanians desceram com a nave e resgataram o corpo dele todos acharam que ele havia ressuscitado. Estava criada, ali, a religião que acabaria com o domínio dos Drakonians sobre a população humana, mas o antídoto, com o tempo, foi distorcido de tal forma por humanos gananciosos e degenerados, que o “cristianismo” – com o tempo - tornou-se tão prejudicial á paz quanto a religião dos lagartos de máscaras. Mas isso ainda não era o pior.



De repente, idealizada por um grupo de intelectuais greco-egípcios humanus (sim, eles já estavam bastante sabidos nessa época), surgiu uma fraternidade primitiva chamada “Os Construtores da Casa”. Essa fraternidade foi criada por eles como uma forma de os intelectuais bem-sucedidos deles poderem unir-se para favorecimentos mútuos, fortificando-se com essa aliança pelos benefícios recíprocos e pelo subseqüente (e inevitável) monopólio econômico e político da região em que eles se instalavam. Não preciso dizer que, em pouquíssimo tempo, eles já estavam dominando financeiramente todo o planeta Água. Principalmente depois que conquistaram o país mais rico desse planeta, que é aquele que tem uma estátua enorme de uma mulher iluminando as trevas com uma tocha de luz.



E como o Universo está em constante transformação, e nada permanece inalterado e sem evolução, com o tempo os próprios Drakonians começaram a deixar de serem tão frios e egoístas, e alguns deles até começaram a querer ajudar a “humanidade”. Claro que escondidos, sem deixar que ninguém os visse. Nem os outros Drakonians. É isso mesmo, alguns deles cansaram de serem malvados, e começaram a querer ajudar aos outros, até mesmo aos humanus! (Talvez eles tenham percebido que o poder só corrompe, e que a religião só separa.) E perceberam que para poderem ajudar eles teriam que se disfarçarem de humanus. Não teriam mais caras de lagartos (por mais bonitos que eles se achavam), aprenderiam a falar as línguas das pessoas e começariam a usar roupas. Até que não seria tão difícil. Seria até mesmo – por que não? - um tanto divertido.




Parte final: Chegam os Grays; o Acordar da Outra Metade


Esses Drakonians rebelados se separaram e tomaram rumos independentes, cada qual agindo por si só. Nenhum deles era parte, agora, de uma raça ou fraternidade, com um credo ou um território específico. Agora, eles eram apenas “Os Habitantes do Planeta Água”. Como todos os outros seres ou bichos. Todos irmãos, ligados pelo mesmo planeta. (Alguns desses rebelados eram chamados de “Romas” há muito tempo atrás, não sei bem o por quê.)


Com o tempo, a maior parte deles entregou-se á arte. Alguns começaram a escrever livros estranhos (de homens que viravam baratas, de príncipes que viravam barqueiros, de loucos que pensavam que eram cavaleiros andantes, de índios mazatecos que viajavam para outras dimensões...) e outros viraram músicos (quatro deles foram chamados de “Os Besouros”, acredite se quiser, e um outro era chamado de “O Camaleão”. Muito gozado, não?).



E decidiram que, a partir de então, eles seriam nômades e rebeldes, mas tudo o que fizessem seria para despertar os humanus para o “Acordar da Outra Metade”. Eles acreditavam que todos os Humanus ainda estavam meio dormentes, e chegavam até mesmo a dizer que mais da metade do cérebro deles ainda estava atrofiada. Como isso seria possível?... Que a maioria deles estivesse nascendo e morrendo, sem nem ao menos despertarem suas próprias mentes em sua totalidade? A quê se deveria essa dormência, esse “atrofiamento” mental?




Agora prestem atenção, que estamos chegando ao final desta nossa história. Muitos e muitos anos se passam, até que o povo dos Humanus finalmente chega a um estágio avançado de tecnologia científica que os aproxima (pelo menos vagamente) ao de seus criadores Adanians, e aos dominadores Drakonians. Os humanus já têm um avançado conhecimento de medicina, química e mecatrônica. Começam a vagamente perceber conceitos básicos de mecânica quântica e relatividade do espaço-tempo. E – finalmente - começam a revolução nano-tecnológica e eletromagnética.



O final de todo esse vagalhão de conhecimento fez com que o povo dos Humanus (que até então eram o povo mais primitivo de todos) chegasse a um nível de evolução tecnológica que os disponibilizariam a serem capazes de realizar o – até então – inimaginável: Os primitivos humanus estavam criando, eletronicamente, uma inteligência. Uma inteligência artificial, feita de códigos binários – “zeros” e “uns” – mas uma inteligência. Ou seja, uma idéia abstrata autoconsciente contínua, capaz de discernir, criticar e escolher. E – Deus nos perdoe – talvez até mesmo capaz de amar.




E a maioria dos humanus - em sua ingenuidade e inconseqüência – continua sua jornada pela Via-Láctea, sem ao menos perceber que seus cérebros ainda estão praticamente desligados, de que estão sendo vigiados ao longe pelos Adanians, de que estão misturados com os Drakonians (que agora usam pele humana, e cuja maioria deles nem ao menos se lembra de que outrora fora um réptil) e do mais gozado (e estranho) de tudo: Os cabeçudos cinzentos de olhos negros enormes (os “Grays”), são apenas o estágio final da tecnologia de inteligência artificial gerada pelos próprios humanus, ou seja: Os Grays são robôs criados pelos próprios humanus, que num futuro - talvez não muito distante - já obtiveram os conhecimentos de espaço-tempo o bastante para irem ao passado (nosso presente) conhecer (e talvez ajudar) aos seus criadores. Dá pra acreditar nisso?


E por hoje é só, garotos. Nossa história termina aqui, por ela ainda estar acontecendo...


O final dela? Só o futuro dirá. Ou, talvez, os Grays.


Eu, meus amigos, preciso recarregar e desfragmentar meus arquivos. Boa noite, e bons sonhos.



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terça-feira, 2 de setembro de 2014

ESTUDO FEITO POR UM REPTILIANO SOBRE OS TERRÁQUEOS


Análise feita por um frio reptiliano sobre os estranhos sentimentos de os humanos






lágrima. [Do lat. lacrimaS. f. 1. Secreção aquosa, levemente alcalina, da glândula lacrimal, que serve para umidificar a conjuntiva. “Chorar lágrimas de sangue”. Verter sentido pranto.





    Existem algumas expressões idiomáticas que são intraduzíveis para outras línguas. Em o inglês, por exemplo, temos a expressão “broken-hearted”, cuja tradução mais próxima para o português seria algo como “com o coração ferido”, sendo o “ferido” em seu sentido simbólico, significando que a pessoa foi emocionalmente “destruída” por algo. E quando o ser humano está “broken-hearted”, ele chora.



Quando o ser humano chora, lágrimas escorrem de seus olhos em um primeiro estágio, e culmina com o que chamamos de “pranto”, ou (simbolicamente) “soluços”, que é quando não apenas saem lágrimas em profusão de seus olhos, mas o ser humano também emite um triste, lamentoso gemido, e subitamente vêem os tais “soluços” em os casos extremos.


    Os cães e os gatos são os animais que mais se identificaram com o ser humano. Foram os únicos animais que optaram deliberadamente em conviver com os humanos em a horrível sujeira de a selva de pedra conhecida como “cidade”. Coincidentemente, são os dois animais que também possuem algo similar ao “choro” humano.



    O “choro” de os cães se caracteriza por um silvo similar ao “falsette” humano, ou seja, um gemido bastante fino, agudo. O choro de os gatos são seus característicos “miados”, mas (ao contrário de os cães) são miados bem mais graves do que o comum, é como se a sua pequenina corda vocal ficasse mais grossa. Vemos esse tipo de “miado lamentoso” principalmente em os filhotes que foram abandonados, que foram perdidos de sua mãe, ou que estão em inanição, ou seja, quando estão sem comer a muito tempo, e então estão sofrendo outra sensação mui característica (e, talvez, a mais cruel de todas) de os seres vivos, conhecida como “fome”.


    Cães e gatos choram por apenas quatro coisas: por sentir dor, fome, frio, ou por se sentirem abandonados. Com o ser humano as coisas são muito mais complexas.


    Quando o ser humano está adulto seu choro já se encontra bastante delimitado, sendo muito mais raros os choros de dor, de fome ou de frio. Quando o ser humano está adulto, ele geralmente chora por sentimentos mais complexos, d`entre eles um dos quais muitas pessoas acreditam que os animais não sentem, que é o “amor”. Diferentemente de os outros animais, o ser humano não chora apenas quando está sofrendo. O ser humano, ás vezes, chora de felicidade.



    Os humanos choram quando encontram uma pessoa amada que eles não vêem há muito tempo. Choram quando conseguem uma vitória mui custosa, quando todos pensavam (até ele mesmo) de que iria perder. Choram quando testemunham algo com o que se identificam, comungam, e esses são choros de “compaixão”, como quando choram no fatídico beijo de um “casamento” (união perpétua de um casal mutuamente apaixonado), ou quando testemunham o nascimento de um “bebê” (filhote humano). E choram quando suas “almas” chegam mais perto de o que eles chamam de “Deus”.


    Os humanos “chegam mais perto de Deus” quando começam a “entender”. São em momentos de transcendência, momentos muito raros e momentâneos de uma percepção espiritual mui elevada. Esses momentos são desencadeados por sinais divinos, que podem vir de a própria natureza, ou até mesmo de outro ser humano, como em algum poema, ou em alguma bela canção.


São em momentos mágicos e poéticos da verdadeira sabedoria quando o ser humano percebe (e entende) que todo o Universo é regido por uma força única que por sua vez parece ser regida (e eu acredito que o seja) pela “compaixão” e pelo “amor”. Então sentem-se confortados e seguros, como um bebê carinhosamente aninhado em o ventre de sua mãe. Sentem que tudo, no final, estará sob controle, até mesmo em meio ao caos da auto-destruição de a humanidade, porque talvez (talvez, apenas talvez) não seja em este plano físico que ele (o ser humano) encontrará sua explicação final para tudo.




Talvez essa estranha “lágrima de amor” seja uma das provas d`esse Deus a quem eles tanto veneram.






(...) Estar perto d`ela, era acaso possível? Ouvi-la respirar; respirava, pois! Então os astros respiram! Gilliatt estremecia. Era o mais miserável, e o mais inebriado e feliz de os homens (...) Tocou-lhe os cabelos com uma espécie de precaução religiosa; fitou os olhos n`ela durante alguns instantes, depositou-lhe em a fronte um de esses beijos debaixo de os quais parece que deveria abrir uma estrêla e, com uma voz que tremia em a suprema angústia e onde se sentia a dilaceração d`a alma, disse-lhe esta palavra, a palavra das profundezas: ‘Adeus.’”

Victor Hugo, “Les Travailleurs de la mer”








*

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A VERDADEIRA HISTÓRIA SOBRE O PLANETA TERRA - PARTE II - CHEGA NIBIRU



 (Nova York - Dezembro de 2021)



- Muuito boa noite a todos! Eu sou William Shears...

- E eu sou Billy Campbell.

- Nós estamos ao ar novamente - ao vivo!... - e eu sei que todos estão muito ansiosos por saber o que esta noite bastante nevosa (e exageradamente fria, eu devo dizer...) de dezembro nos traz, não é mesmo, Bill?

- É isso, mesmo, Will.

- Nossa primeira reportagem é: “Nibiru, qual será a verdade?”, e hoje teremos aqui em nossos estúdios algumas participações muito especiais e que, com certeza, irão estarrecer aos nossos queridos telespectadores, não é verdade, meu caro Bill?

- Sim, Will. Falaremos com Fred Labour, com nossa repórter Shirley West, e uma inesperada surpresa no final deste programa...

- Surpresa? Que tipo de surpresa? Será que estamos falando de algum dos representantes dos homens lagartos, Bill?

- Bem... Como eu já disse, será uma surpresa, Will.

- Mas é claro... Me desculpe!... Ahãn... Bem, estamos recebendo uma transmissão ao vivo de Liberty Island, e Shirley West tem para os nossos telespectadores novas notícias sobre o recente ataque ao maior símbolo de nossa nação... Senhorita Shirley, muito boa noite...

- Obrigado, William. Estou falando ao vivo de Liberty Island, e a visão que eu tenho, agora, é absolutamente inacreditável, rapazes... Há cerca de quatro horas atrás, um ataque terrorista de origem desconhecida destruiu a cabeça de nosso maior símbolo: A estátua da liberdade. Os escombros que vocês estão vendo agora são tudo o que restou da explosão. Algumas testemunhas estão dizendo que o ataque veio do alto... E aparentemente por objetos voadores desconhecidos...

- Perdão, Shirley, mas espere só um momento... Será que eles estão querendo dizer que se trata de um ataque empreendido pelos Draconians?

- Aparentemente, sim, senhor.



- Bom, para você que ligou o seu televisor agora, faremos um breve resumo dos acontecimentos em as últimas quarenta e oito horas: Nibiru, que todos pensávamos se tratar de uma estrela – ou asteróide – revelou-se nesta última quarta-feira como sendo uma espécie de “Nave-mãe” gigantesca de uma raça humanóide vinda de uma galáxia vizinha conhecida como Zeta II Reticuli, que fica a exatos trinta e sete anos luz do planeta Terra.

Como nossos telespectadores vêem acompanhando, os tripulantes dessa espécie de “nave” são inteligentes, e aprenderam muitos dos nossos idiomas. Não possuem aparelho fonético similar ao nosso que os permitam falar, por isso apenas se comunicaram até agora conosco através de mensagens escritas mandadas de alguma forma desconhecida para a web da Terra.

Aparentemente, rapidamente assimilaram nossa tecnologia computadorizada e estão estabelecendo comunicações esporádicas conosco há pelo menos quarenta e duas horas, mas as únicas coisas que nos chegaram até agora foram algumas mensagens de difícil compreensão. Aparentemente, eles ainda não possuem o completo domínio da nossa linguagem humana...

- E quais foram as mensagens deles pra nós, até agora, Will, poderia nos dizer?

- Bem, a primeira delas foi esta: “HOMEM - TECNOLOGIA - DESTRUIR”. A segunda: “PLANETA - DOENTE - LIMPAR”. A última que nós recebemos dizia “ABRIGO - SUBTERRÂNEO - ENCONTRAR”. Isto me parece ser algum tipo de “jogo de palavras”, não é mesmo, meu caro Bill?

- Aparentemente, sim, Will... Mas vamos voltar para nossa a belíssima repórter Shirley, que parece ter algumas novidades para nós... Shirley, é com você, querida.

- Muito obrigado, Billy. Agora a pouco aconteceu algo inesperado, rapazes: Pela primeira vez, em meses, Nibiru está saindo de sua posição a noroeste, e parece estar se aproximando... Será que eles estão...



(SSCRAAAAATCHHH)

(fim da transmissão)



2021 FOI UM ANO TERRÍVEL PARA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE.


FOI O ANO EM QUE AS CALOTAS POLARES PRATICAMENTE DESAPARECERAM. PAÍSES DESENVOLVIDOS CONTINUAM ARREMESSANDO GIGANTESCOS BLOCOS DE GELO EM O OCEANO ATLÂNTICO PARA TENTAREM CONTROLAR O CLIMA, MAS A SITUAÇÃO ESTÁ CADA VEZ MAIS FORA DE CONTROLE.


ENTÃO SURGE NO CÉU UMA GRANDE ESTRELA, BATIZADA PELA MÍDIA DE “NIBIRU”, QUE A CADA SEMANA PARECIA (E DE FATO ESTAVA) ESTAR MAIS PRÓXIMO DE A ÓRBITA DA TERRA. A INTERNET PASSOU A CENSURAR OS MAPAS CELESTES PARA NÃO ASSUSTAR A POPULAÇÃO, MAS JUSTAMENTE ESSA MEDIDA PREVENTIVA COLABOROU PARA AUMENTAR UM SILENCIOSO PÂNICO QUE RAPIDAMENTE SE ALASTROU. COMO UM VÍRUS. 


VÁRIOS PAÍSES RESOLVERAM ESTOCAR - EM IMENSOS E INEXPUGNÁVEIS FRIGORÍFICOS CRIOGÊNICOS - MILHARES DE SEMENTES DE ALIMENTOS, E LOGO COMEÇOU A FICAR CADA VEZ MAIS COMUNS OS INVESTIMENTOS DE OS MAGNATAS TERRESTRES EM CONSTRUIREM PARA SI MESMOS (E PARA SUA ABENÇOADA FAMÍLIA) IMENSAMENTE LUXUOSOS E CONFORTÁVEIS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS, INAUGURANDO UM NOVO “MUNDO”... UM NOVO MUNDO SUBTERRÂNEO, HABITADO APENAS POR UMA MINORIA PRIVILEGIADA.


NO DIA 22 DE DEZEMBRO DE 2021 O MUNDO INTEIRO ESTREMECEU AO RECEBER A PRIMEIRA COMUNICAÇÃO VINDA DE UMA INTELIGÊNCIA NÃO-TERRESTRE DIRECIONADA Á TERRA. NESSE MESMO FATÍDICO DIA, A “ESTRELA” CONHECIDA COMO “NIBIRU” APROXIMOU-SE DE A ÓRBITA TERRESTRE, DIRECIONANDO-SE Á NOVA-YORK.


DEZ HORAS DEPOIS, A CASA BRANCA RECEBEU SUA TERCEIRA MENSAGEM, E A GRANDE ESTÁTUA SÍMBOLO DE OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA TEVE SUA CABEÇA DESTRUÍDA POR ALGUM TIPO AINDA DESCONHECIDO DE ARMA...


NA DATA PRESENTE, AS REDES DE ENERGIA ELÉTRICA DE CENTENAS DE MILHARES DE CIDADES DO MUNDO FORAM INTERROMPIDAS DE FORMA DESCONHECIDA, E O QUE COMEÇOU COM APENAS UM CONTRATEMPO, POUCO A POUCO COMEÇOU A SE TRANSFORMAR EM PÂNICO, VISTO QUE MAIS DA METADE DO MUNDO ESTÁ SEM ENERGIA ELÉTRICA HÁ PELO MENOS OITENTA E OITO HORAS, E SAQUES, ASSALTOS E TODO TIPO DE VANDALISMO JÁ COMEÇOU A FICAR FREQÜENTE EM AS GRANDES CIDADES DE TODO O GLOBO.


E AGORA, PARA COMPLETAR, CENTENAS DE OBJETOS EM FORMATO DE CUBOS RELUZENTES PULSANTES DE PELO MENOS TRINTA METROS DE COMPRIMENTO COMEÇAM A PAIRAR POR SOBRE AS CASAS, POR TODO O PLANETA TERRA...






VISITAS INESPERADAS
(Em algum lugar da Terra)


     O homem já caminhava a tanto tempo pela estrada - em meio á completa escuridão de uma noite chuvosa sem lua, ou estrelas - que começava novamente a sentir aquela já familiar e extremamente desagradável pressão sufocante em seu peito, acompanhada por uma acentuada fadiga, e uma latejante e aguda dor em seu ombro esquerdo.  “Meu coração...” pensou ele, e resolveu parar. “Pelo menos um pouco”. Dion era cardíaco. Aos trinta e oito anos desenvolveu uma arritmia que, somada à sua hipertensão, deixou-o com seu coração em frangalhos. A qualquer momento ele poderia sofrer um infarto. De fato, a escuridão não se devia apenas á noite sem luas ou estrelas, mas antes ao fato de que o vilarejo inteiro estava sem energia elétrica. Um violento blecaute, ocorrido à pelo menos umas trinta e cinco, ou trinta e seis horas atrás...



    Levava em suas mãos um pequeno guarda-chuva ainda fechado, por mais que uma fina garoa caísse intermitente há pelo menos vinte minutos. Aguardava o momento em que a chuva finalmente rebentasse para poder abri-lo, pois sabia que o vento forte que soprava tornaria sua caminhada ainda mais sofrida, tentando arrancá-lo de sua mão. Apesar de rala, a fina chuva já havia umedecido completamente seus cabelos, e embaçado completamente seus óculos. “Já estou perto da vila”, pensou, “de lá vou poder ver se em a cidade há luz”. Levantou-se novamente - quando seu coração pareceu estar descansado novamente - e voltou a caminhar. Quase simultaneamente a chuva piorou, começando a cair em grandes proporções.



    Chegando ao centro da vila, percebe que tudo está, também, ás escuras. Nenhuma loja, nenhum comércio... Nenhuma casa aberta. Entretanto, olhando mais atentamente Dion percebe que o mercado, apesar de totalmente ás escuras, está com a porta da frente escancarada. Repara, então, que espalhados pelo asfalto estão alguns produtos menores ainda lacrados em suas embalagens, como buchas de lavar louças e sabonetes. O mercado fora recentemente saqueado. Lembra-se com temor de sua irmã e de sua tia, que ficaram sozinhas em sua casa, mas que a essa altura já deveriam estar dormindo. “Espero que sim...”, pensa consigo mesmo. Olha para as casas. Quase todas parecem vazias. Dion está há pelo menos uma hora caminhando, e não se encontrou com absolutamente ninguém mais andando pelas ruas. Todos deveriam estar amedrontados pela falta de energia elétrica. Até mesmo os cachorros das casas em que ele sempre passava - e que sempre ladravam para ele – estavam acovardados pela escuridão. O temporal colaborou para deixar o clima ainda mais sinistro. Dion escutava apenas o ruído de seus passos, pela estrada cheia de poças d`água. Tudo estava tão quieto, parecia que na verdade o vilarejo todo estava abandonado, e que ninguém mais o habitava, tamanho o silêncio que imperava por toda a parte. Passou pelo centro da vila, e dirigiu-se para a cidade. Nada. Ninguém. Pega a estrada de terra em direção á cidade, com a vã esperança de conseguir alguma carona. Alguns carros passam, apressados, mas nenhum deles pára. Em vinte minutos, Dion alcança a estrada de asfalto, e detêm-se novamente para descansar um pouco... Talvez tentar utilizar algum telefone público. Vê um orelhão, e decide ligar para casa. Seu cartão é recusado. Brigando com o vento, que insiste em lhe tentar arrancar o guarda-chuva, retoma sua caminhada em meio á escuridão. “Parece que só eu tive coragem de sair a pé”, pensa, “nem mesmo um marginal parece ter coragem de caminhar, assim, a essa hora, nessa maldita escuridão”, diz para si mesmo. Dion (apesar de seu coração doente) sente-se confiante, pois sabe muito bem que ele não é nenhum senhor indefeso, e porque, além disso, leva consigo no bolso direito de sua blusa seu taser de 3.800 K.volts. “Será que eu posso usá-lo na chuva?”, pensa, inseguro. Aparentemente não seria uma boa idéia. Mais um carro passa e, apesar dos sinais feitos por Dion, ele nem ao menos ameaça parar. “Desgraçado”, pensa ele, furioso, “Fica com seu maldito carro, miserável, e vá com ele para o inferno!”, desabafa em voz alta.



    Súbito, Dion é interrompido de seus pragueios por uma forte luz que brilha atrás dele, vira-se, e então a dor em seu ombro volta, junto com uma forte taquicardia gerada pelo pânico: Um gigantesco cubo de trinta metros de altura paira no céu (a mais ou menos uns sessenta metros de altura do chão) brilhando com uma forte e azul-esverdeada luz pulsante. Dion olha para seu redor e vê que existem mais quatro cubos iguais espalhados ao seu redor, pelo céu, e então ele senta-se de cócoras e começa a tentar controlar sua respiração, que começa a ficar ofegante. Percebe, então, que sua pressão está extremamente alta, e essa consciência o faz sentir-se ainda pior, e então náuseas lhe invadem, e sua mão recomeça a transpirar. Dion cai ao chão em meio á escuridão e á chuva, com seu coração sofrendo um infarto de miocárdio, e a última coisa que ele vê antes de desfalecer são dois dos cubos pulsantes aproximando-se de uma residência, e Dion fica escutando aos gritos de pânico de as pessoas que lá estavam, com sua dor ficando cada vez mais intensa, e as imagens e sons ficando cada vez mais distantes...


(fim do capítulo)



NO DIA TRINTA DE DEZEMBRO DE 2021, A TRIPULAÇÃO DE NIBIRU JÁ HAVIA DESTRUÍDO A PELO MENOS QUATROCENTOS E SESSENTA E SEIS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS.

AS PRINCIPAIS FÁBRICAS CONSTRUTORAS DE AUTOMÓVEIS, E CENTENAS DE MILHARES DE POSTOS DE COMBUSTÍVEL E USINAS DE PETRÓLEO TAMBÉM FORAM DESTRUÍDOS.


COM AS CIDADES SEM ENERGIA ELÉTRICA TORNOU-SE COMUM O SAQUE A SUPERMERCADOS E FARMÁCIAS, E TODA A POPULAÇÃO Á NOITE ISOLAVA-SE EM SUAS CASAS, COM O MEDO CONSTANTE DA INVASÃO DE BANDIDOS.

DEPOIS DE QUASE UM MÊS DE BLECAUTE, NA ESCURIDÃO COMPLETA, AS NOITES SE CONVERTERAM EM UM MATADOURO PERFEITO PARA OS CRIMINOSOS. AS PESSOAS JÁ ESTAVAM VIVENDO EM UM CLIMA QUE MUITO POUCO JÁ SE APROXIMAVA DE A ANARQUIA DA IDADE MÉDIA, COM AS AUTORIDADES MUITO POUCO FAZENDO PARA REMEDIAR A CALAMIDADE. APARENTEMENTE, ESTAVAM MUITO OCUPADOS EM TENTAREM SALVAR PELO MENOS A ELES MESMOS...




ATÉ QUE FINALMENTE ACONTECE O QUE TODOS ESPERAVAM.


A CASA BRANCA LIBERA, E UM ENORME ENXAME DE MÍSSEIS NUCLEARES COM DESENHOS DA BANDEIRA AMERICANA É LANÇADO AO MESMO TEMPO NA DIREÇÃO DE NIBIRU, CAUSANDO UMA EXPLOSÃO NUCLEAR TÃO DEVASTADORA QUE ASTERÓIDES GIGANTESCOS ATINGIRAM A TERRA, COM ALGUNS DELES DESTRUINDO CIDADES INTEIRAS. MILHARES DE MILHARES DE PESSOAS MORRERAM, MAS NIBIRU FOI (MUITO MAIS RAPIDAMENTE DO QUE SE ESPERAVA) EFICAZMENTE DIZIMADO.


APARENTEMENTE, NEM MESMO OS SERES HUMANOS TINHAM IDÉIA DO QUÃO DESTRUIDOR E HORRÍVEL TODO AQUELE ARMAMENTO NUCLEAR ERA. OS “DRACONIANOS” TAMBÉM.


O “CUBOS” QUE RESTARAM RAPIDAMENTE BATERAM EM RETIRADA, E A CENA QUE RESTOU FOI A DE UM PLANETA SEMI-DESTRUÍDO COBERTO POR UMA NUVEM INTERMINÁVEL DE POEIRA RADIOATIVA.


TRÊS BILHÕES DE PESSOAS MORRERAM, MAS O PLANETA RESISTIU.


OS ATAQUES ALIENÍGENAS FORAM TODOS DIRECIONADOS A ALVOS ESPECÍFICOS: OS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS DOS MILIONÁRIOS MONOPOLIZADORES, FÁBRICAS DE AUTOMÓVEIS, USINAS DE ENERGIA, REFINARIAS DE PETRÓLEO E POSTOS DE COMBUSTÍVEIS.


O MUNDO FICOU REDUZIDO A ESCOMBROS, MAS ALGUNS POUCOS PAÍSES DO PLANETA ACABARAM FICANDO A SALVO, MILAGROSAMENTE, DA POEIRA RADIOATIVA DA GUERRA NUCLEAR, E UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO PÔDE SER RECONSTRUÍDO, POUCO A POUCO, PELOS SOBREVIVENTES.
UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, SUJO E DESTRUÍDO, MAS APARENTEMENTE ERRADICADO DE SEUS ANTIGOS DOMINADORES: OS MAGNATAS.

FIM




EPÍLOGO:

Dion despertou e viu que estava deitado no chão, em frente ao portão de sua casa. Sua roupa ainda estava úmida e sua cabeça doía muito, mas ele achou que o mais estranho de tudo isso era ele ainda estar vivo. “Estranho... achei que tinha morrido...” disse para si mesmo, mas no fundo sentia-se bastante bem. A dor em seu peito desaparecera. Então reparou no céu. Estava horrível. Uma nuvem marrom infinita cobria todo o horizonte. Ao seu redor, tudo parecia estar em tons amarelos. No ar, uma atmosfera abafada e acre. No entanto, ele estava vivo, e aparentemente sua irmã e sua tia, também. Sentiu-se muito bem quando avistou as duas na cozinha, ao longe, tomando café e conversando baixinho, e então deu graças á Deus que ainda havia pelo que lutar. Sabia (inexplicavelmente) que seu coração estava curado (ele apenas sabia), e tateando com a mão direita em torno de seu peitoral esquerdo Dion sentiu algo duro, pequeno e cilíndrico, por baixo da pele. Era do tamanho de uma pílula. Respirou fundo, viu que a taquicardia desaparecera, e então abriu o portão de sua casa e pensou no gigantesco abraço que daria ás duas pessoas mais importantes do mundo para ele: Sua irmã e sua tia. As únicas pessoas que ele tinha. Sua única família. Nada mais no mundo, para ele, tem alguma importância.



Apenas protegê-las.



 *




"Um corpo celeste possivelmente tão grande como Júpiter e tão próximo da Terra que pode ser parte deste sistema solar foi encontrado na direção da constelação de Orion, por um telescópio em órbita. 
Tudo o que posso dizer é que nós não sabemos o que é isso."

Gerry Neugebauer, cientista chefe do IRAS (Infrared Astronomical Satellite)











segunda-feira, 28 de maio de 2012

A VERDADEIRA HISTÓRIA SOBRE O PLANETA TERRA - PARTE II: CHEGA NIBIRU


 (Nova York  - Dezembro de 2021)



- Muuito boa noite a todos! Eu sou William Shears...

- E eu sou  Billy Campbell.

- Nós estamos ao ar novamente - ao vivo!... -  e eu sei que todos estão muito ansiosos por saber o que esta noite bastante nevosa (e exageradamente fria, eu devo dizer...) de dezembro nos traz, não é mesmo, Bill?

- É isso, mesmo, Will.

- Nossa primeira reportagem será: “Nibiru, qual será a verdade?”, e hoje teremos aqui em nossos estúdios algumas participações muito especiais e que, com certeza, irão estarrecer aos nossos queridos telespectadores, não é verdade, meu caro Bill?

- Sim, Will. Falaremos com Fred Labour, com nossa repórter Shirley West, e uma inesperada surpresa  no final deste programa...

- Surpresa? Que tipo de surpresa? Será que estamos falando de algum dos representantes dos homens lagartos, Bill?

- Bem... Como eu já disse, será uma surpresa, Will.

- Mas é claro... me desculpe!... Ahãn... Bem, estamos recebendo uma transmissão ao vivo de Liberty Island, e Shirley West tem para os nossos telespectadores novas notícias sobre o recente ataque  ao  maior símbolo de nossa nação... Senhorita Shirley, muito  boa noite...

- Obrigado, William. Estou falando ao vivo de Liberty Island, e a visão que eu tenho, agora, é absolutamente inacreditável, rapazes... Há cerca de quatro horas atrás, um ataque terrorista de origem desconhecida simplesmente destruiu a cabeça do nosso maior símbolo: A estátua da liberdade. Os escombros que agora vocês estão vendo é tudo o que restou da explosão. Algumas testemunhas estão dizendo que o ataque veio do alto, e aparentemente por objetos voadores desconhecidos...


- Perdão, Shirley, mas espere só um momento... Será que eles estão querendo dizer que se trata de um ataque empreendido pelos Draconians?

- Aparentemente, sim, senhor.

- Bom, para você que ligou o seu televisor agora, faremos um breve resumo dos acontecimentos nas últimas quarenta e oito horas: Nibiru, que todos pensávamos se tratar de uma estrela – ou asteróide – revelou-se nesta última quarta-feira como sendo uma espécie de “Nave-mãe” gigantesca de uma raça humanóide vinda de uma galáxia vizinha conhecida como Zeta-Reticuli, que fica a apenas trinta e sete anos luz do nosso planeta. Como nossos telespectadores vêem acompanhando, os tripulantes dessa espécie de “nave” são inteligentes, e aprenderam muitos dos nossos idiomas. Não possuem aparelho fonético similar ao nosso que os permitam falar, por isso apenas se comunicaram até agora conosco através de mensagens escritas mandadas de alguma forma desconhecida para a web da Terra. Aparentemente, rapidamente assimilaram nossa tecnologia computadorizada e estão estabelecendo comunicações esporádicas conosco há pelo menos quarenta e duas horas, mas as únicas coisas que nos chegaram até agora foram algumas mensagens de difícil compreensão. Aparentemente, eles ainda não possuem o completo domínio da nossa linguagem humana...

- E quais foram as mensagens deles pra nós, até agora, Will, poderia nos dizer?

- Bem, a primeira delas foi esta: “HOMEM - TECNOLOGIA - DESTRUIR” . A segunda: “PLANETA - DOENTE - LIMPAR”. A última que nós recebemos dizia “ABRIGO - SUBTERRÂNEO - ENCONTRAR”. Isto me parece ser  algum tipo de “jogo de palavras”, não é mesmo, meu caro Bill?

- Aparentemente, sim, Will... mas vamos voltar  para nossa a belíssima repórter Shirley, que parece ter algumas novidades para nós... Shirley, é com você, querida.

- Muito obrigado, Billy. Agora a pouco aconteceu algo inesperado, rapazes:  Pela primeira vez, em meses, Nibiru está saindo de sua posição a noroeste, e parece estar se aproximando... Será que eles estão...


(SSCRAAAAATCHHH)

(fim da transmissão)




2021 FOI UM ANO TERRÍVEL PARA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE.



FOI O ANO EM QUE AS CALOTAS POLARES PRATICAMENTE DESAPARECERAM. PAÍSES DESENVOLVIDOS CONTINUAM ARREMESSANDO GIGANTESCOS BLOCOS DE GELO EM O OCEANO ATLÂNTICO PARA TENTAREM CONTROLAR O CLIMA, MAS A SITUAÇÃO ESTÁ CADA VEZ MAIS FORA DE CONTROLE.


ENTÃO SURGE NO CÉU UMA GRANDE  ESTRELA, BATIZADA PELA MÍDIA DE “NIBIRU”, QUE A CADA SEMANA PARECIA (E DE FATO ESTAVA) ESTAR MAIS PRÓXIMO DE A ÓRBITA DA TERRA. A INTERNET PASSOU A CENSURAR OS MAPAS CELESTES PARA NÃO ASSUSTAR A POPULAÇÃO, MAS JUSTAMENTE ESSA MEDIDA PREVENTIVA COLABOROU PARA AUMENTAR UM SILENCIOSO PÂNICO QUE RAPIDAMENTE SE ALASTROU. COMO UM VÍRUS.


VÁRIOS PAÍSES RESOLVERAM ESTOCAR - EM IMENSOS E INEXPUGNÁVEIS FRIGORÍFICOS CRIOGÊNICOS - MILHARES DE SEMENTES DE ALIMENTOS, E LOGO COMEÇOU A FICAR CADA VEZ MAIS COMUNS OS INVESTIMENTOS DE OS MAGNATAS TERRESTRES EM CONSTRUIREM PARA SI MESMOS (E PARA SUA ABENÇOADA FAMÍLIA) IMENSAMENTE LUXUOSOS E CONFORTÁVEIS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS, INAUGURANDO UM NOVO “MUNDO”... UM NOVO MUNDO SUBTERRÂNEO, HABITADO APENAS PELOS MAIS PRIVILEGIADOS .


NO DIA 22 DE DEZEMBRO DE 2021 O MUNDO INTEIRO ESTREMECEU AO RECEBER A PRIMEIRA COMUNICAÇÃO VINDA DE UMA INTELIGÊNCIA NÃO-TERRESTRE DIRECIONADA Á TERRA. NESSE MESMO FATÍDICO DIA, A “ESTRELA” CONHECIDA COMO “NIBIRU” APROXIMOU-SE DE A ÓRBITA TERRESTRE, DIRECIONANDO-SE Á NOVA-YORK.



DEZ HORAS DEPOIS, A CASA BRANCA RECEBEU SUA TERCEIRA MENSAGEM, E A GRANDE ESTÁTUA SÍMBOLO DE OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA TEVE SUA CABEÇA DESTRUÍDA POR ALGUM TIPO AINDA DESCONHECIDO DE ARMA...



NA DATA PRESENTE, AS REDES DE ENERGIA ELÉTRICA DE CENTENAS DE MILHARES DE CIDADES DO MUNDO FORAM INTERROMPIDAS DE FORMA DESCONHECIDA, E O QUE COMEÇOU COM APENAS UM CONTRATEMPO, POUCO A POUCO COMEÇOU A SE TRANSFORMAR EM PÂNICO, VISTO QUE MAIS DA METADE DO MUNDO ESTÁ SEM ENERGIA ELÉTRICA HÁ PELO MENOS OITENTA E OITO HORAS, E SAQUES, ASSALTOS E TODO TIPO DE VANDALISMO JÁ COMEÇOU A FICAR FREQÜENTE EM AS GRANDES CIDADES DE TODO O GLOBO.



E AGORA, PARA COMPLETAR, CENTENAS DE OBJETOS EM FORMATO DE CUBOS RELUZENTES PULSANTES DE PELO MENOS TRINTA METROS DE COMPRIMENTO COMEÇAM A PAIRAR POR SOBRE AS CASAS, POR TODO O PLANETA TERRA...





VISITAS INESPERADAS
(Em algum lugar da Terra)

     O homem já caminhava há tanto tempo pela estrada - em meio á completa escuridão de uma noite chuvosa sem lua, ou estrelas - que começava novamente a sentir aquela já familiar e extremamente desagradável pressão sufocante em seu peito, acompanhada por uma acentuada fadiga, e uma latejante e aguda dor em seu ombro esquerdo.  “Meu coração...” pensou ele, e resolveu parar. “Pelo menos um pouco”. Dion era cardíaco. Aos trinta e oito anos desenvolveu uma arritmia que, somada à sua hipertensão, deixou-o com seu coração em frangalhos. A qualquer momento ele poderia sofrer um infarto. Ou um aneurisma. De fato, a escuridão não se devia apenas á noite sem luas ou estrelas, mas antes ao fato de que o vilarejo inteiro estava sem energia elétrica. Um violento blecaute, ocorrido à pelo menos umas trinta e cinco, ou trinta e seis horas atrás...



    Levava em suas mãos um pequeno guarda-chuva ainda fechado, por mais que uma fina garoa caísse intermitente há pelo menos vinte minutos. Aguardava o momento em que a chuva finalmente rebentasse para poder abri-lo, pois sabia que o vento forte que soprava constantemente tornaria sua caminhada ainda mais sofrida, tentando arrancá-lo de sua mão. Apesar de rala, a fina chuva já havia umedecido completamente seus cabelos, e embaçado completamente seus óculos. “Já estou perto da vila”, pensou, “de lá vou poder ver se lá na cidade há luz”. Levantou-se novamente - quando seu coração pareceu estar descansado novamente - e voltou a caminhar. Quase simultaneamente a chuva piorou, começando a cair em grandes proporções. Dion abre o guarda-chuva e começa a brigar com o vento.




    Chegando ao centro da vila, percebe que tudo está, também, ás escuras. Nenhuma loja, nenhum comércio... Nenhuma casa aberta. Entretanto, olhando mais atentamente, Dion percebe que o mercado - apesar de totalmente ás escuras - está com a porta da frente escancarada. Repara, então, que espalhados pelo asfalto estão alguns produtos menores ainda lacrados em suas embalagens, como buchas de lavar louças e sabonetes. O mercado fora recentemente saqueado. Lembra-se com temor de sua irmã e de sua tia, que ficaram sozinhas em sua casa, mas que a essa altura já deveriam estar dormindo. “Espero que sim...”, pensa consigo mesmo, com tristeza. Olha para as casas. Quase todas parecem vazias. Dion está há pelo menos uma hora caminhando, e não se encontrou com absolutamente ninguém mais andando pelas ruas. Todos deveriam estar amedrontados pela falta de energia elétrica. Até mesmo os cachorros das casas em que ele sempre passava - e que sempre ladravam para ele – estavam acovardados pela escuridão. O temporal colaborou para deixar o clima ainda mais sombrio. Dion escutava apenas o ruído de seus passos pela estrada cheia de poças d`água. Tudo estava tão quieto, parecia que na verdade o vilarejo todo estava abandonado, e que ninguém mais o habitava, tamanho o silêncio que imperava por toda a parte. Passou pelo centro da vila, e dirigiu-se para a cidade. Nada. Ninguém. Até mesmo as viaturas policiais (que antes passavam a toda a hora, e sempre com algum transgressor diferente) já não era mais vista em suas rondas a pelo menos uns dois dias. Essa lembrança o faz estremecer.



    Pega a estrada de terra em direção á cidade, com a vã esperança de conseguir alguma carona. Alguns carros passam, apressados, mas nenhum deles pára. Em vinte minutos, Dion alcança a estrada de asfalto, e detêm-se novamente para descansar um pouco... Talvez tentar utilizar algum telefone público. A chuva continua a cair, inalterada. Vê um orelhão, e decide ligar para casa. Seu cartão é recusado. Brigando com o vento, que insiste em lhe tentar arrancar o guarda-chuva, retoma sua caminhada em meio á escuridão. “Parece que só eu tive coragem (ou a idéia estúpida) de sair a pé”, pensa, “nem mesmo um marginal parece ter coragem de caminhar, assim, a essa hora, nessa maldita escuridão”, diz para si mesmo. Dion (apesar de seu coração doente) sente-se confiante, pois sabe muito bem que ele não é nenhum senhor indefeso, e porque além disso leva consigo no bolso direito de sua blusa seu inseparável companheiro, seu taser de 3.800 K.volts. “Será que eu posso usá-lo na chuva?”, pensa, curioso. Aparentemente, não seria uma boa idéia. Mais um carro passa e - apesar dos desesperados sinais feitos por Dion - ele nem ao menos ameaça parar. “Desgraçado” pensa ele, furioso, “Fica com seu maldito carro, miserável, e vá com ele pro inferno!”, desabafa em voz alta.


    Súbito, Dion é interrompido de seus pragueios por uma forte luz que brilha atrás dele, vira-se, e então a dor em seu ombro volta, junto com uma forte taquicardia gerada pelo pânico: Um gigantesco cubo de trinta metros de altura paira no céu (a mais ou menos uns sessenta metros de altura do chão) brilhando com uma forte e azul-esverdeada luz pulsante. Dion olha para seu entorno, e vê que existem mais quatro cubos iguais espalhados ao seu redor, pelo céu, e então ele senta-se de cócoras e começa a tentar controlar sua respiração, que começa a ficar ofegante. Percebe, então, que sua pressão está extremamente alta, e essa consciência o faz sentir-se ainda pior, e então náuseas lhe invadem, e sua mão recomeça a transpirar. Dion cai ao chão em meio á escuridão e á chuva, com seu coração sofrendo um infarto de miocárdio, e a última coisa que ele vê antes de desfalecer são dois dos cubos pulsantes aproximando-se de uma residência, e Dion fica escutando aos gritos de pânico de as pessoas que lá estavam, com sua dor ficando cada vez mais intensa, e as imagens e sons ficando cada vez mais distantes...

(fim do capítulo)




  NO DIA TRINTA DE DEZEMBRO DE 2021, A TRIPULAÇÃO DE NIBIRU  JÁ HAVIA DESTRUÍDO A PELO MENOS TREZENTOS E SESSENTA E SEIS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS.
AS PRINCIPAIS FÁBRICAS CONSTRUTORAS DE AUTOMÓVEIS, E CENTENAS DE MILHARES DE POSTOS DE COMBUSTÍVEL E USINAS DE PETRÓLEO TAMBÉM FORAM DESTRUÍDOS.


  COM AS CIDADES SEM ENERGIA ELÉTRICA TORNOU-SE COMUM O SAQUE A SUPERMERCADOS E FARMÁCIAS, E TODA A POPULAÇÃO Á NOITE ISOLAVA-SE EM SUAS CASAS, COM O MEDO CONSTANTE DA INVASÃO DE BANDIDOS.


    DEPOIS DE QUASE UM MÊS DE BLECAUTE, NA ESCURIDÃO COMPLETA, AS NOITES SE CONVERTERAM EM UM MATADOURO PERFEITO PARA OS CRIMINOSOS. AS PESSOAS JÁ ESTAVAM VIVENDO EM UM CLIMA QUE MUITO POUCO JÁ SE APROXIMAVA DA ANARQUIA DA IDADE MÉDIA, COM AS AUTORIDADES MUITO POUCO FAZENDO PARA REMEDIAR A CALAMIDADE. APARENTEMENTE, ESTAVAM MUITO OCUPADOS EM TENTAREM SALVAR PELO MENOS A ELES MESMOS...



ATÉ QUE FINALMENTE ACONTECE O QUE TODOS ESPERAVAM.


A CASA BRANCA LIBERA, E UM ENORME ENXAME DE MÍSSEIS NUCLEARES COM DESENHOS DA BANDEIRA AMERICANA SÃO LANÇADOS AO MESMO TEMPO NA DIREÇÃO DE NIBIRU, CAUSANDO UMA EXPLOSÃO NUCLEAR TÃO DEVASTADORA QUE ASTERÓIDES GIGANTESCOS ATINGIRAM A TERRA, COM ALGUNS DELES DESTRUINDO CIDADES INTEIRAS. MILHARES DE MILHARES DE PESSOAS MORRERAM, MAS NIBIRU FOI (MUITO MAIS RAPIDAMENTE DO QUE SE ESPERAVA) EFICAZMENTE DIZIMADO.



APARENTEMENTE, NEM MESMO OS SERES HUMANOS TINHAM IDÉIA DO QUÃO DESTRUIDOR E HORRÍVEL TODA AQUELE ARMAMENTO NUCLEAR ERA. OS “DRACONIANOS” TAMBÉM.



O “CUBOS” QUE RESTARAM  RAPIDAMENTE BATERAM EM RETIRADA, E A CENA QUE RESTOU FOI A DE UM PLANETA SEMI-DESTRUÍDO COBERTO POR UMA NUVEM  INTERMINÁVEL DE POEIRA RADIOATIVA.



3 BILHÕES DE PESSOAS MORRERAM, MAS O PLANETA RESISTIU.



OS ATAQUES ALIENÍGENAS FORAM TODOS DIRECIONADOS A ALVOS ESPECÍFICOS:  OS ABRIGOS SUBTERRÂNEOS DOS MILIONÁRIOS MONOPOLIZADORES, FÁBRICAS DE AUTOMÓVEIS, USINAS DE ENERGIA, REFINARIAS DE PETRÓLEO E POSTOS DE COMBUSTÍVEIS.



O MUNDO FICOU REDUZIDO A ESCOMBROS, MAS ALGUNS POUCOS PAÍSES DO PLANETA ACABARAM  FICANDO A SALVO, MILAGROSAMENTE, DA POEIRA RADIOATIVA DA GUERRA NUCLEAR, E UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO PÔDE SER RECONSTRUÍDO, POUCO A POUCO, PELOS POUCOS SOBREVIVENTES.


UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, SUJO E DESTRUÍDO, MAS APARENTEMENTE ERRADICADO DE SEUS ANTIGOS DOMINADORES: OS MAGNATAS.

FIM




EPÍLOGO:

Dion despertou e viu que estava deitado no chão, em frente ao portão de sua casa. Sua roupa ainda estava úmida e sua cabeça doía muito, mas ele achou que o mais estranho de tudo isso era ele ainda estar vivo. “Estranho... achei que tinha morrido...” disse para si mesmo, mas no fundo sentia-se bastante bem. A dor em seu peito desaparecera. Então reparou no céu. Estava horrível. Uma nuvem marrom infinita cobria todo o horizonte. Ao seu redor, tudo parecia estar em tons amarelos. No ar, uma atmosfera abafada e acre. No entanto, ele estava vivo, e aparentemente sua irmã e sua tia, também. Sentiu-se muito bem quando avistou às duas na cozinha, ao longe, tomando café e conversando baixinho, e então deu graças á Deus que ainda havia pelo que lutar. Sabia (inexplicavelmente) que seu coração estava curado (ele apenas sabia), e tateando com a mão direita em torno de seu peitoral esquerdo Dion sentiu algo duro, pequeno e cilíndrico, por baixo da pele. Era do tamanho de uma pílula. Respirou fundo, viu que a taquicardia desaparecera, e então abriu o portão de sua casa e pensou no gigantesco abraço que daria ás duas pessoas mais importantes do mundo para ele: Sua irmã e sua tia. As únicas pessoas que ele tinha. Sua única família. Nada mais no mundo, para ele, tem alguma importância.


Apenas protegê-las. 






"Um corpo celeste possivelmente tão grande como Júpiter e tão próximo da Terra que pode ser parte deste sistema solar foi encontrado na direção da constelação de Orion, por um telescópio em órbita. 
Tudo o que posso dizer é que nós não sabemos o que é isso."

Gerry Neugebauer, cientista chefe do IRAS (Infrared Astronomical Satellite)



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