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terça-feira, 23 de outubro de 2012

O DIABO EXISTE?




“Existe o mal?”


     Esta é a principal indagação feita por  “Damiel” (Bruno Ganz), o protagonista e narrador de a história do belíssimo filme alemão “Asas do Desejo”, feito pelo genial Win Wenders. Damiel, na verdade, não é um ser humano. Damiel é um anjo. Ele é um anjo que – como todo anjo obviamente deveria ser para exercer sua função de maneira satisfatória – ama apaixonada e incondicionalmente ao ser humano, chegando ao extremo de decidir abandonar a seu cargo de “sentinela d`a humanidade” para vestir a “armadura de carne” dos homens e – pela primeira vez em sua angelical existência – “viver”. Viver como um homem comum.



     O que mais me interessou em esse filme tão especial é exatamente essa essência, que é a gigantesca ternura que Damiel sente incondicionalmente pelas pessoas, e por seus casuais e amenos cotidianos. O anjo, desde o início, descreve para o seu amigo (“Cassiel”, outro anjo, evidente) de as coisas que ele pensa serem as mais poéticas e belas e – surpreendentemente – não são as mais transcendentais, nem as mais importantes, e nem ao menos as politicamente corretas. Ele se interessa pelos detalhes que qualquer ser humano normal veria como fútil, previsível ou banal. Um dos exemplos de que ele descreve é o seu carinho especial pelos cumprimentos comuns de acenos de mão entre os homens que apenas se conhecem superficialmente.



     E justamente essa sua essência (de essa apologia explícita á existência física humana e, conseqüente e inevitavelmente – á própria matéria) é particularmente notável por ela ser totalmente contrária ao supremo dogma cristão e hindu, que é a total rejeição aos “prazeres terrenos” e - em vez disso - glorificá-los, reverenciá-los. Ele não busca as grandiosas obras, os mais árduos feitos, realizações e/ou acontecimentos. O anjo vê o carinhoso prazer de um suave vento no rosto. Ele vê a ternura de sorver o líquido de um determinado fruto, com seu especial e único sabor.




     E tudo isso é particularmente intrigante pelo fato de que se analisássemos a esse filme pela ótica cristã e – até mesmo – católica, tal “anjo” seria, na verdade, um verdadeiro demônio (repare que no filme todos os anjos se vestem de negro). A matéria é vista pelo cristianismo como o reino do mal, como o próprio “demônio” descreve em a bíblia para o seu principal “opositor”, o jovem chamado Jesus. Mais ainda: analisando pela ótica hindu, tal filme pareceria ainda mais subversivo e maligno por glorificar à “Maya”: Para os hindus, a matéria é chamada de Maya, e é ela que engana e corrompe o ser humano. Maya é uma palavra sânscrita que significa “ilusão”.



     Mas, é certo um anjo ver beleza em a vida humana? Querer até mesmo ser um deles? Em uma das primeiras cenas Damiel se interessa por uma simples caneta, e agarra-a para analisá-la. Quando ele a “pega” fica evidente tanto a sua própria imaterialidade, quanto ao fato de que na verdade ele não “agarra com sua mão” à caneta, e sim ele simbolicamente agarra seu mero aspecto morfológico: seu mero “molde físico”. Seria fácil uma pessoa interpretar a isso erroneamente como sendo a “alma da caneta” aquilo que Damiel agarra.



“Eu quero lutar por uma história minha.


Quero entrar para a história do mundo... Ou apenas segurar uma maçã.”




      E, então, chegamos ao principal, e que é dito pelo narrador no começo do filme de forma aparentemente desinteressada, casual, mas que resume de forma absoluta a verdadeira mensagem do filme, que é a não existência de um mal.




     É possível existir Deus, mas não existir a um mal. A idéia de o dualismo, de que se existe o bem, têm de existir a um mal, pode – e talvez devesse - ser contestada. O “mal” pode ser visto mais especificamente como um “erro”, e até mesmo como “irreal”. Pelo hinduísmo, “Maya” (a realidade) é ilusão. De acordo com “Der Himmel über Berlin”, apenas o “mal” é uma ilusão. Tudo o mais (desde um feroz trovão, á pequenina risada de um bebê) são não apenas reais... Mas puros, imaculados: únicos e sagrados. Mesmo uma mentira pode ser linda ou poética.



“Eu não quero gerar um filho, e nem mesmo plantar uma árvore”, nos diz o anjo. “Mas seria agradável chegar em casa cansado no final do dia, e dar de comer ao gato”.



     “Deus” existe. E “Ele” existe apenas porque existe a bondade, existe a ternura, existe a poesia, e existe a beleza. Não é por isso que deve existir a isso – inevitavelmente - uma oposição. “Diabo”, “demônios”, são apenas símbolos de erros, de efeitos colaterais, e da raiva. São “fantasmas”.

O “mal” não existe. Só o Amor é real.






“Como devo viver?


Talvez não seja essa a questão e, sim...


Como devo pensar?”


Marion






dualismo. [De dual + -ismo.] S. m. 1. Filos. Doutrina que, em qualquer ordem de idéias, admite a coexistência de dois princípios irredutíveis. Ex.: dualismo do bem e do mal. 2. P. ext. Coexistência de dois princípios ou posições contrárias, opostas.

semiótica. [Do Gr. semeiotiké, i. e., téchne semeiotiké, ‘a arte dos sinais’.] S. f. 1. Denominação utilizada para a ciência geral do signo, que estuda os fenômenos culturais como se fossem sistemas de significação, i. e., sistemas de símbolos.






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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

TURBINE SEU COMPUTADOR DE GRAÇA - PARTE DOIS, A MISSÃO



Vocês se lembram daquela minha reportagem sobre “como aumentar a velocidade do seu PC sem gastar um centavo”? Pois bem, andei aprendendo mais algumas dicas, que são as que seguem:


1-      O Malwarebytes éum programa excelente para achar e destruir worms e outras porcarias, mas ele é um auto-executável e, conseqüentemente, consome memória RAM. Ou seja, instale-o, utilize-o, e depois desinstale-o novamente. Minha dica: Instale-o periodicamente a cada um ou dois meses, aí você simultaneamente sempre vai ter uma versão atualizada dele!


2-      Entre os programas demanutenção, dois são os mais “top”: o Advanced System Cleaner 5 (PRO, claro, a versão gratuita está cheia de limitações propositais...) e o Tune Up System Cleaner. Esse último é o mais fodástico de todos, e justamente por isso ele também é o mais pesado e (o que é pior) ele é um auto-executável muito pentelho. Mesma dica do Malwarebytes: UTILIZE-O UMA VEZ, E DEPOIS JOGUE-O FORA A CADA DOIS MESES.


3-      Sempre que o computador começar a dar aquela bendita “travada”, dê o comando ALT-CONTROL-DEL e dê uma olhada no gerenciador de processos. Se você estiver usando o CHROME (que é o navegador que eu ainda continuo aconselhando, mas agora também recomendo o SAFARI) vai ficar fácil ver se tem alguma coisa estranha consumindo sua memória, ou seja, algum spyware ou coisa pior. Eu vou na roleta russa, e finalizo os processos cujo nomes me parecem estranhos (no começo eu fiz umas “cagadas”, mas o máximo que acontece é você ter que reinicializar o seu PC. E, com o passar do tempo, você acaba se familiarizando com os nomes das extensões essenciais e vai perceber quando tiver algum “intruso”. Vai por mim.


4-      O GOOGLE CHROME realmente é o Browser mais leve,mas o SAFARI é mais rápido. Experimenta ele, e vê o que você acha. Vai por mim, esquece a porcaria do Mozzila Firefox e, principalmente, o Explorer! O Explorer é que nem o Windows Media Player: Só serve pra quebrar o galho quando você não tiver mais nenhum outro programa.


5-      E falo de novo: Se você quer velocidade, não mantenha instalado nenhum anti-vírus. Use-o e jogue fora, também. Mas fica esperto onde você mete seu mouse rsrsrsrrs.

domingo, 23 de setembro de 2012

A EXÓTICA CULINÁRIA EGÍPCIA





(viu, galera, este é a única postagem do meu blog que não foi escrita por mim, as respectivas fontes estão citadas no final de cada um dos textos, blzra? abraços a todos, e obrigado pelo sucesso do blog!!! fiquem com Deus!!)




No Egito, a dieta básica gira em torno de grãos como fava, grão de bico e lentilha. Um prato muito comum é o fool - um ensopado consistente feito de grãos de fava temperados com pasta de gergelim e suco de limão.



Entretanto, a grande maioria dos hotéis substitui este prato tradicionalmente leve por um sistema de café continental, que inclui chá, torradas, bolos, manteiga, geléias e queijo fetta.


Os pães podem deixar um pouco a desejar, pois costumam ser do tipo achatado e redondo, tipo árabe. No entanto, são ideais para serem degustados acompanhados dos inúmeros tipos de patês e molhos típicos da culinária egípcia como a Tahina (pasta feita de gergelim) tão deliciosa quanto o Baba Ghanoug (mistura de tahina com alho e berinjela).


Algumas vezes o Bikli (porção de legumes sortidos, temperados e em conserva) também pode acompanhar uma boa refeição.


No Egito, o almoço é a refeição mais importante do dia e consiste num prato principal, com vários molhos e saladas, além dos acompanhamentos tradicionais.


Kebabs é um prato muito popular feito de carne de carneiro ou frango, cortada em pedaços, marinada e grelhada. Uma variação do kebabs é o kofta, que é o mesmo prato feito com a carne moída e preparada do mesmo modo.


Outros pratos populares incluem o frango assado, o pombo recheado e a carne grelhada. Esses pratos normalmente são servidos acompanhados de arroz ou alguma massa e uma salada verde.


Pratos quentes de verduras são servidas como acompanhamento ou como alternativa aos pratos com carne.

Uma iguaria imperdível é o taamaya, similar ao felafel israelita que consiste em uma pequena quantidade de massa feita de grão de bico, que é frita e servida com pão ou salada.


Shawarma é um popular lanche rápido, e é encontrado principalmente nos mercados abertos e nas feiras.

É carne de cordeiro cortada em fatias bem finas, junto com salada e tahina, enrolados no pão sírio.


O peixe é mais consumido nas regiões próximas ao Mar Vermelho, enquanto que a culinária em Aswan tem como base saborosos peixes de água doce, vindos do lago Nasser.


Os vegetarianos mais rígidos não terão uma grande variedade nos pratos, pois a carne costuma sempre aparecer na culinária egípcia, mesmo que em pequenas porções.


As sobremesas no Egito sempre caem em uma das duas seguintes categorias: doces de massa e pudins ou frutas frescas.


Os doces são: Mohallabeyya (creme à base de farinha de arroz, perfumado com água de rosas e com pistache), Om´ali (finas folhas de massa cozida banhadas em leite muito açucarado e misturadas com coco e pistache) e Konafa (uma espécie de massa de pistache, avelãs e nozes, envolta em aletria e mel).


Frutas frescas são a sobremesa mais comum, ainda que não sejam especialmente variadas.


No que se refere às bebidas, o chá tem uma importância enorme na cultura egípcia. Ele é servido bem doce, a menos que você especifique o contrário.

O café é servido no estilo turco, muito forte e bastante adoçado.

Uma bebida que pode ser bastante refrescante para os dias quentes no Egito, é o karkadeh, feito de pétalas secas da flor do hibisco, que pode ser servido quente ou gelado. Há também uma grande variedade de sucos de frutas.


No inverno é servido uma bebida quente, doce e leitosa, misturada com passas, amêndoas e coco chamada de sahleb.


A cerveja local é fraca e os vinhos e destilados egípcios são considerados fortes demais.


Fonte: www.pratofeito.com.br



Culinária Egípcia (segunda parte)
  

Cairo, a cidade triunfante, é a magnífica capital do Egito. A maior cidade do Oriente Médio e também da África. Está localizada no meio de todas as rotas entre os três continentes: África, Europa e Ásia. É a cidade onde o passado e o presente se encontram.


A grande Cairo se estende nas duas margens do rio Nilo. Na margem oeste do rio fica o passado, ou seja, as grandes construções como as pirâmides de Queops, Quefrem e Miquerinos e a enigmática Esfinge na cidade de Giza. E na margem leste, a cidade do Cairo com seus modernos arranha-céus convivendo pacificamente com mais de 2000 anos de cultura Islâmica, Copta, Cristã e Judaica.

Para se chegar ao Cairo, alem do avião que é o mais rápido, eu recomendo uma viajem por terra vindo da Jordânia ou Israel, ou por mar vindo da Grécia ou Itália passando por Alexandria. Tenha cuidado com guias muito solícitos, eles podem querer decidir tudo sobre sua estadia no Cairo. Planeje antes de embarcar, e com cuidado reserve hotéis ou albergues que você terá grandes chances de ter uma estadia prazerosa.




Atenção: Visite as Pirâmides e a Esfinge na parte da tarde e espere para assistir o show de luzes e som que acontece diariamente no local, sempre ao cair da noite.


Pela manhã visite o “Khan Alkalili Bazar” um grande mercado onde você encontra de tudo, desde raridades até cópias fajutas. Visite também a grande Mesquita do Cairo e lembre-se de estar discretamente vestido.


O museu do Cairo está localizado na praça “Tahrir” e tem o maior acervo de produtos egípcios de todos os tempos, e o mais impressionante e inédito de todos que é o tesouro do Faraó Tutakamon.



A culinária do Egito é rica e bastante similar ao resto do oriente médio. Em pequenos restaurantes ou em outros mais sofisticados, experimente a Kafta, Kebab, Tahina, saladas com berinjela, rolinhos com folhas de parreira, tomates recheados, lentilhas e sopas. É importante atentar para beber somente água mineral, por um motivo que nós os brasileiros estamos cansados de saber. Experimente um cruzeiro-jantar pelas águas do rio Nilo ao entardecer, é uma experiência deslumbrante.


É bastante seguro se deslocar pela cidade em táxi. As corridas não custam muito e os motoristas sempre entendem o idioma inglês e sabem aonde você quer chegar. Mas se você quer gastar bem menos dinheiro, suba numa van metropolitana, os destinos estão escritos também em inglês, eu acredito que esta seja uma experiência bastante exótica.


Para brasileiros entrarem no Egito é preciso visto, trate disto antes de sair do país. E o perigo da violência que estamos acostumados a ouvir pelos noticiários não é aquilo que nos deparamos enquanto realidade, tenha somente tanto cuidado quanto em qualquer outro local urbano deste nosso planeta!






quinta-feira, 20 de setembro de 2012

JESUS REALMENTE EXISTIU?




Escrito por Herácides Gimenez

    Fui batizado como católico no dia de meu nascimento, e passei a minha infância estudando em um colégio particular em São Paulo, onde até algumas faxineiras e cozinheiras eram freiras. Uma de minhas lembranças mais fortes de essa época era a sensação etérea, sublime, de respeito e humildade tão forte no ar que me fazia bem, quando íamos com algumas delas rezar na capela da escola. Era um silêncio estranho. Um silêncio vivo e mágico. Eu só não gostava de olhar para uma estátua - em um tamanho proporcional á estatura média de um ser humano adulto - de Jesus, deitado, todo coberto de sangue e ferimentos, como se tivesse sido há pouco retirado de sua cruz. Sentia medo.

    Quando me tornei um adolescente, já fazia muitos anos que eu não estudava mais em aquele colégio católico, e como meus pais nunca foram “praticantes”, eu nunca mais fui á igreja. Aliás, não me lembro de ter ido assistir a alguma missa com os meus pais. Eu até arriscaria o palpite de que nenhum deles foi alguma vez por vontade própria assistir a alguma missa católica.

    Eu e minha irmã, também, acabamos por perder o estímulo religioso que havíamos adquirido com os ensinamentos daquelas bondosas mulheres. Acho que se tivéssemos continuado a estudar com as freiras até chegarmos à nossa adolescência, com certeza nosso caráter teria sido muito mais moldado sob os princípios morais cristãos. O afastamento de as freiras (e, conseqüentemente, da igreja), acabou por desfocar totalmente a minha atenção e fé em Jesus.

    E então, conseqüentemente, li dezenas de ensaios de ateus (e até mesmo de “católicos não-praticantes”) que falavam tão ferozmente com relação ao “império financeiro do Vaticano” e sobre as atrocidades cometidas pelo “Santo Ofício” contra os judeus e as mulheres, que por fim não só fiquei totalmente cético com relação ao cristianismo, mas quase (por muito pouco) não me tornei um anti-cristianismo. Nietzsche, com toda a sua fúria desmesurada contra a igreja, foi um deles.

    E digo mais: acho que eu só não me tornei ateu, pela educação religiosa que recebi em minha infância, e que com certeza está junto com os principais alicerces de minha índole e de meus valores, ou seja, fui educado na infância para ser um cristão, e meu caráter foi moldado indelevelmente sob tais princípios. Fazem parte da minha personalidade, de meu intelecto, tais valores. Ou seja, por mais que eu encontrava tantos argumentos céticos e difamadores do cristianismo, bem lá no fundo de minh`alma eu mantive uma centelha (que durante muito tempo pra mim era aparentemente inexistente) de a fé cristã.

    Sobre os argumentos difamadores que me afastaram da igreja, tratam-se de duas coisas, principalmente: Primeiro, o erro da contagem do ano cristão estabelecido por um anão russo chamado Dionísio Exíguo (ou “Denys”, de acordo com outras fontes...). Dionísio, em meados de 530, errou o nascimento do Cristo Jesus por cinco anos (esqueceu-se dos quatro anos em que Augusto reinou com o nome de Otávio, e do ano zero entre 1 a.C e 1d.C.)  e ninguém consertou até hoje; e segundo – e principalmente - a não-autenticidade do Novo Testamento.

    Através de um livro denominado “Pequena História Sobre a Igreja”, tomei ciência de alguns dados que me fizeram repensar sobre o catolicismo. Como ainda não pude confirmar as informações que obtive, comparando-as com outras fontes (passei a tarde de ontem pesquisando na web sobre isso, sem obter dados similares consistentes... A maioria das informações relacionadas á religião são parciais, tendenciosas e cegas), deixo aqui registrado, também, o conselho para que o leitor não acate tais dados que aqui apresento como cem por cento confiáveis (afinal de contas, não é por que está em algum livro que se tornará automaticamente incontestável)... Bem, vamos a eles, de qualquer forma:

    De acordo com o que li, dos vinte e sete capítulos do Novo Testamento, apenas sete são autênticos. Ou seja, capítulos que foram “assinados” por Mateus, Marcos, Lucas, João, Tiago, Pedro e Judas (o irmão de Tiago, não Judas Iscariotes) foram escritos entre o ano setenta e o ano cento e trinta d.C., e não por eles (óbvio, pelo período), mas por outros anônimos cristãos “bem-intencionados”. Dá um total de vinte capítulos inverossímeis, contra sete. Será possível que essa seja a verdade? Se for, de as trezentas páginas do Novo Testamento, menos de vinte por cento delas são legítimas. Assim como o Velho Testamento, que só fora traduzida do hebraico para o grego trezentos anos a.C. (a pedido de Ptolomeu II), e cujos únicos livros que eu soube serem historicamente autênticos seriam os de Josué, Isaías, Samuel (não sei dizer se apenas um deles, ou os dois) e o Êxodo. Isso de acordo com as “Cartas de Laquis”.

    Mas, o que eu quero dizer com “legítimo”, e quais são os capítulos “verdadeiros”? Bom, com “legítimo” eu me refiro às cartas que foram escritas a punho (ou ditadas) pela própria pessoa que supostamente “assina” o documento. O que, de acordo com os tais dados, nos revela uma verdade surpreendente: Apenas as Epístolas escritas por São Paulo (ou “Paulo de Tarso”) são historicamente autênticas. O restante é literalmente apócrifo.

    “Teríamos sentido com muito mais dor esse ato da falsificação da história, se milênios de interpretação eclesiástica da história não nos tivessem tornado quase apáticos a respeito das exigências de integridade dos historiadores...”, dizia-nos Nietzsche, “confesso que li poucos livros que apresentem tantas dificuldades quanto os evangelhos.”

    Mas - por mais paradoxal que isso pareça - a partir do momento em que eu soube de estas informações, minha fé pelo cristianismo se renovou. Simples: apesar de estar ciente de que quase tudo foi montado sabe-se lá por quem (creio que o Vaticano sabe quem foram eles...), ao mesmo tempo eu finalmente pude saber que pelo menos uma parte do “Sagrado Livro” foi escrito por alguém que conviveu lado-a-lado com Pedro, Tiago e até mesmo com o próprio “Messias”. Digo-lhe que fiquei surpreendido ao ler as Epístolas aos Coríntios. Chega a ser gritante a diferença estilística de esta carta, em comparação ás outras. É muito mais humana, muito mais espontânea. Apesar de os escritos dizerem que a Epístola aos Romanos também se trata de uma de as cartas autênticas, Coríntios I é de longe (antropologicamente falando) mais convincente, talvez por ter muito menos d`aquele tom profético, missionário, dogmático e impessoal de um sermão, e tratar do amor cristão de uma forma muito mais direcionada, ou seja, Paulo conversa com seus discípulos (os primeiros cristãos) de uma forma comoventemente amena e íntima, instruindo-lhes serenamente sobre condutas sociais, valores morais, etc, e inclusive tratando-os com muito carinho, e até mesmo por seus respectivos nomes.

    Apesar de os dados “deixarem claro” que apenas os manuscritos de Paulo tratarem-se de documentos comprovadamente verossímeis (preciso verificar mais a fundo essa “comprovação” arqueológica), nem todos eles o são. Pelo livro supracitado, são os que seguem: Romanos (que eu, particularmente, suspeito que o seja), Coríntios I e II, Tessalonicenses (apenas o primeiro, o segundo teria sido escrito pelo menos quarenta anos depois da morte do Cristo), Gálatas (Gl), Filemom (Fm), e um último que – por um erro de digitação, eu suponho – não consegui descobrir qual seria, por estar assinalado apenas com a sigla “Fl” (que não existe no Novo Testamento). Suponho que pode se tratar, ou de Filipenses (Fp), ou de Colossenses (Cl). Sete.

    Paulo (pelo seu testemunho) não só conheceu pessoalmente a certo Jeoshua (que curava pessoas enfermas com um simples toque e - pelo que diziam os boatos na época – chegou mesmo a ressuscitar a certo homem chamado Lázaro), como afirma veementemente que O viu (e falou com Ele) depois que O massacraram injustamente e O assassinaram. Ou seja, Paulo nos dá a sua palavra que falou com O Cristo depois que O mataram. Jeoshua morreu e ressuscitou.

     Detalhe: Paulo continuou afirmando essas verdades mesmo depois de os judeus o terem flagelado com trinta e nove chicotadas. Deram-lhe trinta e nove, especificamente, para não quebrarem a “Lei de Moisés”. Espancaram-no novamente com os trinta e nove flagelos em mais quatro ocasiões. Paulo continuou pregando. Pelos romanos, Paulo fora recebido por três vezes com uma feroz surra de porretes. Paulo continuou pregando. Fora apedrejado por uma multidão. Ainda assim, continuou. Como poderia esse homem suportar tanto sofrimento e ter a coragem de continuar? Será que a sua coragem nasceu depois de vê-Lo dependurado, e sem nada poder fazer?

     Pelo testemunho da época, Jeoshua foi martelado em a cruz ás nove horas da manhã. Ficou agonizando, dependurado, até as três horas da tarde. Um cruel suplício de seis horas. “... Quando perco toda a minha força, então tenho a força do Cristo em mim.” Tiago, o apóstolo e irmão de sangue de Jeoshua, foi apedrejado até a morte em o ano 68. Mas qual seria a razão de toda essa violência? Todos sabiam que os cristãos eram pacíficos por essência, que jamais revidariam fisicamente e, mesmo assim, todos os massacravam impune, impiedosa e sadicamente... Para mim, agredir violentamente a um ser que não se defende é o extremo da covardia.



“Esse santo anarquista que instigou a classe social mais pobre, os rejeitados e os’pecadores’ (e com discursos - caso os evangelhos mereçam crédito - que até mesmo nos dias atuais levariam um homem á prisão) era um criminoso político; se é que criminoso político seja possível em uma sociedade absurdamente apolítica, como o era Jerusalém. Isso levou-o à cruz: e a prova disso é a própria inscrição na cruz.”
Friedrich Nietzsche, “Der Antichrist”


    Em o final de a Primeira Guerra Mundial, em 1916, um piloto russo chamado Vladimir Roskovitsky avistou “um longo ataúde de madeira escura” sobre o monte Ararat. A missão científica que foi enviada ao local examinou os destroços, e concluiu terem pertencido a “um barco muito antigo, de enormes proporções”. Um gigantesco barco no cume de uma montanha?... Seria uma “Arca”?

    Arqueólogos encontraram uma placa que – suponho que analisada pelas radiações do Carbono 14 – data do período aproximado da terceira década do ano cristão. A placa diz “Prefeito Pôncio Pilatos”. De acordo com alguns arqueólogos, Pilatos morreu no ano 36. Oito anos depois de Jeoshua.


“Durante esse tempo, as pessoas das igrejas da Judéia não me conheciam pessoalmente. Elas somente tinham ouvido o que os outros diziam sobre mim: ‘Aquele que antes nos perseguia está anunciando agora a fé que no passado tentava destruir!’ E louvavam a Deus por minha causa.”
Paulo de Tarso, Gl - 1: 22-24.


     Quem quiser se aprofundar em os detalhes arqueológicos sobre a bíblia deverá procurar os escritos de um amigo do arqueólogo Prof. Garstang, chamado Sir Charles Marston, além de reportagens de Jean Carmignac, a obra de John Montgomery, pesquisas de Leonard Woolley e Stephen Langdon, e os estudos de John Allegro (para mim, indignos de fé pelos excessos e romantizações). Muitas das estimativas de as datas aproximadas devem-se aos escaravelhos reais egípcios (os sinetes de Kephri) que eram freqüentemente encontrados em as escavações. De grande importância, eu também sugiro estudos sobre as “Cartas de Laquis”, e também sobre os “Manuscritos das Onze Grutas de Qumrân” (a ruína dos vigilantes ao Luar...). Neles foram encontrados manuscritos em grego dos livros de Isaías, Samuel e Êxodo. Para quem quiser fazer pesquisas por si mesmo, comece comparando o “Hino a Aton” da XIIX Dinastia egípcia com o Salmo 104, e a “Instrução de Amen-em-Opet” do Império Novo egípcio com o Livro dos Provérbios.

    E um último conselho: Muita cautela com as informações que se encontram na web. A “International Network” (ou “World Wide Web”) é uma faca de dois gumes, ou gotas de verdade em meio a um oceano de mentiras. Se expus estas informações em meu livro é porque julguei de interesse - para mim, para o leitor cristão, e quem mais estiver interessado - pelo menos o “abordar” do assunto. Se estas informações estiverem erradas, peço-lhes perdão antecipadamente, e afirmo-lhes que a minha intenção é meramente a de principiar algo, que poderá ser futuramente continuado – e (porque não?) consertado - por outros. Aliás, eu mesmo farei as devidas correções sobre eventuais informações erradas nas próximas edições. Errare, humanu est.

    Oh, sim, um último detalhe. Dois fatores são essenciais para compreendermos a dificuldade de uma comprovação histórica cientificamente incontestável: Primeiro, a probabilidade mínima de papiros e demais manuscritos de couro ou papel - e demais substâncias frágeis - manterem-se em bom estado (ou ao menos legíveis) depois de tanto tempo enfrentando centenas de fenômenos naturais (vicissitudes como enchentes, tempestades, terremotos, etc...), pragas como traças, baratas e ratos (cuja voracidade cruel com o papel eu mesmo presenciei em minha própria biblioteca, desafortunadamente), incêndios, guerras ou até mesmo – no melhor de os casos – o relez e impiedoso desgaste natural do tempo. Segundo, a triste realidade do princípio de a imprensa: Antes de haver sido inventado pelo homem a impressão em grande escala, livros eram artefatos artesanais feitos um a um por escribas pendolistas, caríssimos e feitos apenas sob encomendas de pessoas nobres e abastadas. Com isso, inevitavelmente começaram a surgir as falsificações, e era muito difícil, também, impedir-se quaisquer eventuais adulterações do texto original, intencionalmente ou por mero indomínio do outro idioma pelo suposto “tradutor”.

    Os faraós egípcios e os reis de Pérgamo rivalizavam entre si por nutrir suas bibliotecas - na medida do possível – com manuscritos originais, e devido justamente a isso foram enganados com muita freqüência. Ptolomeu Filadelfo também ajudou a disseminar a praga de a falsificação quando começou a pagar grandes fortunas pelas obras de Aristóteles; com isso, tratados filosóficos de muitos escritores anônimos foram assinados com o nome do ilustre filósofo. E, acima de tudo, a óbvia escassez de exemplares (originais ou falsos) devido á dificuldade em sua confecção, que era artesanal.    
 
    A biblioteca de Alexandria, por exemplo, fora incendiada três vezes: primeiramente no século I a.C., e depois nos séculos IV e VII d.C. Na primeira vez, o fogo se propagou desde a esquadra egípcia que estava no porto que César incendiou. Depois d`essa atrocidade, o general romano Antônio tentou redimir o fato presenteando a rainha egípcia Cleópatra com duzentos mil rolos de papiros de Pérgamo. Em 319, egípcios cristãos que não se interessavam por livros “pagãos” incendiaram-na novamente. Foi novamente renovada e alcançou novamente seu esplendor. Até que outros árabes apareceram e a transformaram novamente em uma gigantesca fornalha. Nunca saberemos ao certo quantos tesouros do conhecimento humano antigo se perderam em meio ás guerras, e seus subseqüentes saques e vandalismos. Tudo isso é abominável.

*







“Os judeus são o povo mais fatídico da história da Terra: com sua póstuma influência causaram uma imagem tão falsa na humanidade, que até nos dias atuais o cristão sente-se anti-semita, sem ao menos perceber que ele mesmo é o resultado final do judaísmo.”

Friedrich Nietzsche, “Der Antichrist”

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

ESTUDO FEITO POR UM REPTILIANO SOBRE OS SENTIMENTOS TERRÁQUEOS



Análise feita por um frio reptiliano (Saides Lamarca) sobre os estranhos sentimentos de os humanos





lágrima. [Do lat. lacrima] S. f. 1. Secreção aquosa, levemente alcalina, da glândula lacrimal, que serve para umidificar a conjuntiva. “Chorar lágrimas de sangue”. Verter sentido pranto.





    Existem algumas expressões idiomáticas que são intraduzíveis para outras línguas. Em o inglês, por exemplo, temos a expressão “broken-hearted”, cuja tradução mais próxima para o português seria algo como “com o coração ferido”, sendo o “ferido” em seu sentido simbólico, significando que a pessoa foi emocionalmente “destruída” por algo. E quando o ser humano está “broken-hearted”, ele chora.




Quando o ser humano chora, lágrimas escorrem de seus olhos em um primeiro estágio, e culmina com o que chamamos de “pranto”, ou (simbolicamente) “soluços”, que é quando não apenas saem lágrimas em profusão de seus olhos, mas o ser humano também emite um triste, lamentoso gemido, e subitamente vêem os tais “soluços” em os casos extremos.



    Os cães e os gatos são os animais que mais se identificaram com o ser humano. Foram os únicos animais que optaram deliberadamente em conviver com os humanos em a horrível sujeira de a selva de pedra conhecida como “cidade”. Coincidentemente, são os dois animais que também possuem algo similar ao “choro” humano.




    O “choro” de os cães se caracteriza por um silvo similar ao “falsette” humano, ou seja, um gemido bastante fino, agudo. O choro de os gatos são seus característicos “miados”, mas (ao contrário de os cães) são miados bem mais graves do que o comum, é como se a sua pequenina corda vocal ficasse mais grossa. Vemos esse tipo de “miado lamentoso” principalmente em os filhotes que foram abandonados, que foram perdidos de sua mãe, ou que estão em inanição, ou seja, quando estão sem comer a muito tempo, e então estão sofrendo outra sensação mui característica (e, talvez, a mais cruel de todas) de os seres vivos, conhecida como “fome”.



    Cães e gatos choram por apenas quatro coisas: por sentir dor, fome, frio, ou por se sentirem abandonados. Com o ser humano as coisas são muito mais complexas.



    Quando o ser humano está adulto seu choro já se encontra bastante delimitado, sendo muito mais raros os choros de dor, de fome ou de frio. Quando o ser humano está adulto, ele geralmente chora por sentimentos mais complexos, d`entre eles um dos quais muitas pessoas acreditam que os animais não sentem, que é o “amor”. Diferentemente de os outros animais, o ser humano não chora apenas quando está sofrendo. O ser humano, ás vezes, chora de felicidade.




    Os humanos choram quando encontram uma pessoa amada que eles não vêem há muito tempo. Choram quando conseguem uma vitória mui custosa, quando todos pensavam (até ele mesmo) de que iria perder. Choram quando testemunham algo com o que se identificam, comungam, e esses são choros de “compaixão”, um dos mais nobres de todos, como quando choram no fatídico beijo de um “casamento” (união perpétua de um casal mutuamente apaixonado), ou quando testemunham o nascimento de um “bebê” (filhote humano). E choram quando suas “almas” chegam mais perto de o que eles chamam de “Deus”.



    Os humanos “chegam mais perto de Deus” quando começam a “entender”. São em momentos de transcendência, momentos muito raros e momentâneos de uma percepção espiritual mui elevada. Esses momentos são desencadeados por sinais divinos, que podem vir de a própria natureza, ou até mesmo de outro ser humano, como em algum poema, ou em alguma bela canção.



São em momentos mágicos e/ou poéticos. São em momentos de verdadeira sabedoria. Momentos em que o ser humano percebe (entende) que todo o Universo é regido por uma força única que por sua vez parece ser regida (e eu bem acredito que o seja) pela “compaixão” e pelo “amor”. Então sentem-se confortados e seguros, como um bebê carinhosamente aninhado em o ventre de sua mãe. Sentem que tudo está sob controle, até mesmo em meio ao caos da auto-destruição de a humanidade, porque talvez (talvez, apenas talvez) não seja em este plano físico que ele (o ser humano) encontrará sua explicação final de tudo.





Talvez essa estranha “lágrima de amor” seja uma das provas d`esse Deus que eles tanto veneram.







“(...) Estar perto d`ela, era acaso possível? Ouvi-la respirar; respirava, pois! Então os astros respiram! Gilliatt estremecia. Era o mais miserável, e o mais inebriado e feliz de os homens (...) Tocou-lhe os cabelos com uma espécie de precaução religiosa; fitou os olhos n`ela durante alguns instantes, depositou-lhe em a fronte um de esses beijos debaixo de os quais parece que deveria abrir uma estrêla e, com uma voz que tremia em a suprema angústia e onde se sentia a dilaceração d`a alma, disse-lhe esta palavra, a palavra das profundezas: ‘Adeus.’”

Victor Hugo, “Les Travailleurs de la mer”







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sábado, 2 de junho de 2012

E, ASSIM, NASCEU O ROCK`N ROLL...




“My daddy, he rocks me with a steady roll...”


    Pelo que nos dizem os registros históricos, foi essa frase (bem vulgar, por sinal) a responsável pela denominação do mais controvertido, mutável e abrangente estilo musical criado por os terráqueos. Para que possamos entender de uma forma mais eficaz esta fenomenológica, basta lembrarmo-nos de que naquela época o mundo (principalmente a U.S.A.) ainda estava se adequando gradativamente ás mudanças geradas após a Segunda Guerra. Aconteceu o famoso “baby-boom”, com milhares de soldados tentando recuperar o tempo perdido em combate, e tratando de colaborarem para o “repovoamento” do novo país, que decolava alavancado pelo american-dream, e pelos lucros com o comércio de armamentos bélicos e saques de os países derrotados. Ou seja, após a tempestade, a bonanza... Ou melhor, após a guerra, o sexo. Após guerra e ódio, paz e amor. Os quatro cavaleiros do apocalipse foram substituídos por sex-drugs-rock.

    Na época, nos idos de cinqüenta, “rock” era uma expressão coloquial usada vulgarmente, cujo significado correspondia a “shake”, ou “twist”. Naqueles anos cinqüenta, graças ás batidas rápidas dos compassos do boogie-woogie (derivadas de uma fusão entre o jazz bebop, o blues, e a country music), dançar com o sexo oposto (“shaking”, “twisting”, “rolling”, etc etc...) era a forma mais direta (e eficaz) com que as moças e os rapazes mais ousados e emancipados daquela geração flertavam entre si. Até então, a música e os bailes resumiam-se a valsas, orquestras... A música era amena e agradável, mas insossa e monótona demais para os jovens. O “rock” (á partir de agora, leitor, não mais usarei aspas, maiúsculas ou itálicos para me referir a expressões inglesas, para poupar-me - e aos leitores - do desgaste da repetição) foi o estopim, o bode-expiatório (bode, heim? rs) ideal para a liberação (libertação) da libido de uma juventude “transviada”.

    Precisou-se de muito pouco. No começo de tudo, um conjunto de brancos tocando uma música que fundia country com blues, chamados de Bill Haley and his Comets. E então aparece Chuck Berry, o furação. E então, como o ápice dessa ebulição, surge um jovem branco e bonito que gostava de black-music. Seu nome era Elvis Presley.

    Algum tempo depois, Hollywood - aproveitando-se da deixa em beneficio próprio -  lança ícones eficientes (como James Dean e Marlon Brando) para atuar sob tal trilha sonora. Então, antes que os jovens de leather jackets, jeans e combed-hairs e as garotas de pony-tails e fishnet stockings pudessem respirar, George Martin traz para a Inglaterra e para o mundo quatro rapazes de cabelos curtos com a franja reta (como típicos garotos burgueses de “boa família”) e ternos iguais, cognominados “Beatles”.


What the hell was that, man? Just revolution, babe.


E, assim, nasceu o Rock`n Roll.

APENAS LEIA ESTE TEXTO SE VOCÊ SE CONSIDERA UMA PESSOA "NORMAL"




Há alguns dias atrás eu fiquei sabendo por um amigo que existem muitas pessoas (que, por sinal, nunca falaram diretamente comigo) que pensam (e dizem, para quem interessar possa) que eu sou louco. Louco, louco, mesmo, “de pedra”, “varrido”, como aqueles que pensam que são “Napoleão”.  Como aqueles que saem pelados pelas ruas. Parei pra pensar seriamente sobre isso, e percebi que realmente existem muitos fatores para alguém pensar que eu não sou uma pessoa normal. E, então, resolvi gastar alguns minutos do meu precioso tempo –e um pequeno espaço do meu livro – para enumerá-las. Vamos a elas:



Eu não assisto televisão.
Isso não é nem um pouco normal, afinal de contas, o eleitorado brasileiro somente escolhe seus candidatos através de duas coisas: ou de “ajudas” que ele recebe diretamente do candidato em questão (dinheiro, cesta básica, etc etc), ou através da televisão. Os vereadores, prefeitos e demais candidatos locais são escolhidos por suborno (ou pela opinião da “maioria”) e os candidatos estaduais e federais são escolhidos pela televisão. Ou seja, como irei votar corretamente dessa forma?


Eu não gosto de futebol.
Outra calamidade. Como farei pra esquecer da corrupção política? E como farei pra odiar a Argentina? Não, isto não está certo.


Ao contrário das “pessoas normais” da minha idade, eu não uso camisa pólo e nem calças sociais com sapatos mocassim. Estou bastante satisfeito com camisetas de algodão, jeans e tênis. Não tenho vocação para ser “tiozão”.


Não estou sufocado em dívidas.
 E nem tenho meu nome sujo no SCPC, como qualquer “pessoa normal” deve ter.


Ando a pé 7 kilômetros de meu sítio até a cidade, e isso é um absurdo. Só um louco faria diariamente um exercício aeróbico de uma hora de duração.


Falo o que eu penso sem pudor, doa a quem doer (só não faço papel de inconveniente falando vulgaridades na frente de crianças, ou pessoas idosas).  Não sou nem um pouco conivente com situações, ou pessoas injustas. E isso não é normal. A maioria das “pessoas normais” ficam sempre mansas e caladas, como vacas indianas.


Sou um leitor compulsivo. Meu pai sempre me deu bronca quando eu era criança e comprava revistas em quadrinhos para ler, e me dizia que eu “só gastava meu dinheiro com porcarias”... Bom, eu parei de gastá-los porque as revistas me alavancaram para os livros, e os livros podem ser emprestados em uma biblioteca pública de graça. Mesmo assim, gosto de comprar os livros que eu gosto, e de colecioná-los em uma biblioteca particular, mas isso não é normal. Eu devo ter Transtorno Obsessivo Compulsivo por livros.




 Não falo com os políticos que encontro pelas ruas pessoalmente, nem ao menos os cumprimento, e isso não é normal. Afinal de contas, eu sei que ele quer o meu voto e que, então, eu posso pedir-lhe alguma coisa em troca. Nenhuma “pessoa normal” perde uma oportunidade dessa de se beneficiar de algum modo (seja com o que for), e vender o seu próprio voto.




 Tenho teorias e falo coisas que a maioria das pessoas normais não entendem. Uso palavras, e cito nomes desconhecidos. Eu só posso estar louco, afinal de contas, não é possível que tantas pessoas na sociedade – ou seja, a grande maioria - sejam tão ignorantes.  Na rua, as crianças vão dar gargalhadas e me atirar pedras, afinal de contas, eu sou o “louco dos livros”.




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(RESUMINDO, EU SÓ ME FODO NESSA MERDA.)

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“Em a lagoa dos patos, cisne é feio.”
Anônimo





louco.  Adj.  1. Que perdeu a razão. 2. Contrário ao bom senso. 3. Excêntrico. 5 Imprudente, Imoderado, temerário. 6. Estróina, extravagante, doidivanas. 7. Travesso, brincalhão, folgazão. 8. Fora do comum, enorme, extraordinário.


(extraído do “Novo Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira”)