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quarta-feira, 7 de março de 2012

SPIELBERG E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


     Poucos filmes me surpreenderam tanto quanto o Inteligência Artificial (A.I.), nesses últimos anos de Holiwood digital. Tanto que quando vi que na verdade tratava-se de um projeto de Steven Spielberg sobre um trabalho interminado de Stanley Kubrick não me surpreendi tanto. Foi mais como uma sensação de “ah, então é por isso!..”. Que “Inteligência Artificial” faça parte daqueles projetos classificados como “ambiciosos” não resta a menor dúvida, nem para seus realizadores, muito menos para o público mais atento. Até mesmo personagens terciários que foram feitos com desenhos computadorizados foram dublados por celebridades: O programa de computador de busca de informações interativo “Dr. Know” possui a voz de ninguém menos que Roger Willians, e a “Blue Fairy” que David (o personagem principal) procura durante os dois séculos de sua existência é dublada por ninguém menos que Meryl Streep. Durante o encarceramento de David na “Flesh Fair” onde ele seria usado pelos humanos para um festival sádico de destruição de ciborgs, todo o festival é realizado sob a trilha sonora ao vivo do grupo de Industrial Rock “Ministry” (precursor do gênero, e principal representante).

    Mas a estrela principal, em minha opinião, não é nenhum dos atores consagrados (como Jude Law ou Willian Hurt) que atuaram (e maravilhosamente bem, diga-se de passagem) ou os já citados que emprestaram suas vozes. A diversão principal do filme fica por conta de “Teddy”, o urso de pelúcia robô que acompanha David durante toda a sua jornada em busca de se tornar um garoto de verdade. Quando Teddy é entregado para David por sua “mãe”, ele é retirado de uma empoeirada caixa que ela retira do fundo de seu guarda-roupa, ou seja, na verdade Teddy é um brinquedo velho e esquecido que pertencia ao verdadeiro filho de Monica quando ele ainda não estava em coma. Teddy é um robô obsoleto e oxidado, suas articulações são extremamente barulhentas (principalmente para quem assistir ao filme com Dolby Surround em um bom Home Theathre), e seu tom de voz (lento, calmo e bastante grave) somado ao seu “gênio” extremamente sisudo e prático (sem o menor senso de humor, devido á defasada inteligência artificial de seu sistema central) o torna um personagem extremamente carismático e engraçado. Spielberg sempre teve bom-gosto para as cenas de humor de seus filmes (desde Indiana Jones á De Volta Para o Futuro, outro de meus filmes prediletos) e Inteligência Artificial teve a sua dose com Teddy. Desde a cena inicial em que ele, bravo, informa á David e sua mãe de que ele “não é um brinquedo”, até quando David e seu “irmão” disputam para ver a quem Teddy irá responder quando chamado pelos dois ao mesmo tempo, Teddy arrancou risos entusiasmados da platéia na seção de cinema em que eu participei.

    E, poeticamente, Teddy acaba ilustrando e definindo toda a moral do filme, que é até onde as máquinas podem chegar em termos de humanidade com uma inteligência artificial. Ironicamente o personagem Teddy, que é um “animatronic” de metal e plástico (e não uma animação feita por desenho de computação gráfica, como muitos pensaram), tornou-se uma das maiores atrações do espetáculo.



*



ESTA É A VERDADEIRA APRENDIZAGEM MUSICAL



    Posso muito bem fragmentar minha carreira como músico e compositor entre dois extremos: Antes, e depois de entrar em contato com a filosofia antroposófica de Rudolf Steiner. O antes já não me interessa mais. Nem consigo mais concebê-lo, definí-lo. O “depois” faço questão de explaná-lo.


    Quando voltei para minha casa depois de concluído o curso, agarrei meu violão e olhei para ele (ou ela?) como se nunca antes eu o (a) tivesse visto. Sentia seu peso, sua substância, e olhava para suas formas. Olhei para meu instrumento musical como se eu nunca ainda o tivesse visto, analisando cada mínima textura de sua constituição.


     Vibrei sua última corda e percebi que podia executar qualquer canção que eu já conhecia usando apenas ela, e nenhuma outra mais. Pensei que eu poderia escolher uma planta qualquer, ou algum animal, uma flor ou algum inseto, e expressar-me como se eu fosse um d`eles. Percebi que compor uma canção com duas notas, ou quarenta acordes, era o mesmo. E o principal: Percebi que naquele momento eu teria que abnegar de todo o conhecimento musical que eu presumira ter, e recomeçar tudo novamente... Tudo, desde a estaca zero.


    Então comecei abraçando o meu violão. De olhos fechados... senti-o como uma extensão do meu corpo. Minha segunda, e terceira voz. Depois olhei para dentro de mim mesmo, e esperei calmamente sentir meu momento, em que o pensamento se faria Verbo. E, só então, cantei. A primeira nota de minha voz ressonando no ar, junto com a de meu violão (que agora também era meu corpo), que formariam uma tríade com o silêncio, gerando uma nova canção. Lembrei-me do conceito cabalístico dos números e letras, da criação do universo. Gematria? A música como uma matemática poética. A melodia contando uma história, onde seu cenário, seu pano de fundo, é a harmonia. Seu andamento, uma pulsação cardíaca... ou um trilho de trem; sua letra um sentimento humano... uma risada, ou mesmo uma lágrima. Ou seja, a música em seu sentido mais visceral, pleno: Como a celebração máxima da glória da vida. Isso é antroposofia.

    E, agora sim, finalmente acho que me tornei um artista. Antes, eu era um farsante. Um corpo, sem alma. Como é bom despertar!...



*


sexta-feira, 2 de março de 2012

COMPUTADOR MUITO MAIS RÁPIDO SEM GASTAR UM CENTAVO!

[ Escrito, editado, revisado e diagramado (Ufa!) por Saides Lamarca ]

    Para se ter um computador rápido e eficiente, não é preciso possuir um computador de última geração. Sabendo-se configurar sua máquina da maneira certa, e sabendo quais (e quantos) programas deverão ser utilizados, uma máquina obsoleta poderá até ficar muito mais veloz do que uma atual.

    A primeira regra é ter instalado em sua máquina um Sistema Operacional compatível com sua capacidade. Não instale um Sistema Operacional mais recente do que seu computador. Ou melhor dizendo, uma boa dica é instalar um Sistema Operacional mais antigo e, claro, com suas devidas atualizações. Acho muito mais seguro utilizar um programa mais velho, revisado e refeito milhares de vezes, do que arriscar uma novidade que ainda precisará ser corrigida. Sem falar que os programas geralmente tendem a ser cada vez maiores, e isso significa mais memória consumida, e menos velocidade. Entretanto, muitos programadores jovens estão percebendo que um ótimo programa é um programa leve.

    Minha dica é você instalar um  Sistema Operacional velho como o Windows XP (com suas devidas atualizações) e, se quiser, instale apenas os “SKINs” do Sistema Operacional mais moderno. “Skin” é a aparência, é o programa que determina as cores e detalhes de seu DESKTOP e das outras janelas do S.O. Com o “Service Pack 3” instalado e usando-se SKINs como o “Xenomorph”, o “Zune Desktop Theme” ou o “Android Skin Pack”, por exemplo, seu computador ficará bonito e tão rápido quanto o PC que acabou de sair das lojas. Claro que o Skin consome memória RAM, mas tenho mais algumas dicas para economizá-la.

1-   1-   Pegue este caminho:
INICIAR – PAINEL DE CONTROLE – SISTEMA- AVANÇADO –
DESEMPENHO (configurações) – EFEITOS VISUAIS – PERSONALIZAR.

E então, mantenha selecionado APENAS estes 5 elementos:
ESMAECER OU DESLIZAR MENUS...;
MOSTRAR SOMBRAS SOB MENUS;
USAR ESTILOS VISUAIS EM JANELAS...;
USAR FONTES DE TELA...;
USAR SOMBRAS SUBJACENTES.

2-     2-  Ainda em “OPÇÕES DE DESEMPENHO”, entre em “AVANÇADO”, e depois em “MEMÓRIA VIRTUAL” (“Alterar”): Em “Tamanho Total de Arquivo de Paginação” clique em “Tamanho Personalizado” e então altere o “Tamanho Inicial” e o “Tamanho Máximo” colocando em ambos o mesmo valor exato que já estiver definido como “RECOMENDÁVEL”. Clique, então em “definir” e reinicialize seu computador.

3-     3-  Procure na Web o programa chamado “C Cleaner”, baixe-o e instale-o em seu computador. Utilize o “LIMPEZA”, e depois o “REGISTRO”. Seu computador irá se livrar de uma quantidade imensa de lixo virtual. Então entre em “FERRAMENTAS” e clique em “PROGRAMAS INICIADOS COM O...”: Aí é só desativar todos os auto-executáveis que você quiser.

( ACONSELHO VC A APENAS DESATIVAR OS PROGRAMAS Q CONHECE E QUE NÃO ESTÁ USANDO, E TODOS OS QUE TIVEREM ESCRITO "UPDATE" NO FINAL.No meu próprio pc, por exemplo, a única coisa que eu deixei executando (ÚNICA MESMO!) nessa janela é um arquivo HKCU:Run CTFMON.EX, q eu só deixei porque eu naum sei pra q serve e porque ta na pasta WINDOWS/system32 , MAS ATÉ ISSO DE REPENTE PODE SER UM MALWARE, EU SÓ NAUM DESINSTALO PORQUE MEU PC TA SUPER-RÁPIDO)



Acredite, isso pode acelerar seu computador em mais de duzentos por cento!

4-      4- Clique com o botão direito do Mouse na barra de tarefas do seu Desktop (geralmente embaixo), entre em “PROPRIEDADES” e deixe apenas selecionado “MOSTRAR RELÓGIO”. Pronto, mais memória Ram economizada (e acredite, pra quem tem um computador defasado, é uma quantidade bem significativa).

5-     5-  Revise novamente todos os seus arquivos de música e filmes e delete tudo o que você puder. Isso não significa apenas economia de memória e espaço. Também significa menos bagunça e, conseqüentemente, menos quantidade de arquivos FRAGMENTADOS. Não armazene discos inteiros, selecione apenas as músicas de que gosta. Não mantenha em seu Hard Disk (HD) arquivos que não sejam essenciais. Isso significa principalmente MAIS ORGANIZAÇÃO.

6- 6- Por falar em “Fragmentos”, mais duas dicas: sempre deixe ativado a opção “RESTAURAR O COMPUTADOR” (acredite em mim, você vai economizar muito dinheiro com formatação) e sempre (pelo menos uma vez a cada dois meses) ponha seu HD para “Desfragmentar” (e vá ler um livro).

7-    7- Se você é esperto o bastante e toma o devido cuidado na hora de baixar arquivos, ou mesmo de apenas clicar em links quando estiver usando a internet, pode muito bem manter o Avira no modo “Deactivated” (desativado) e poupar mais uma bela porção de RAM (deixando o Avira apenas como um recurso de “scan” controlado por você mesmo), contudo você terá de ter a atenção redobrada quando estiver navegando (ou seja, você será seu próprio anti-vírus). E, claro, não se esqueça de ativá-lo quando for deixar outra pessoa utilizar seu computador (principalmente se for um leigo).

SEGUINDO TODAS ESTAS DICAS, É MUITO PROVÁVEL QUE O TEU PC FIQUE AINDA MAIS RÁPIDO DO QUE O PC DAQUELE TEU VIZINHO PLAYBOY QUE JÁ FOI PRA DISNEY...RSRS    VOCÊ  VAI SENTIR NA HORA QUE ELE ESTARÁ RODANDO COM MUITO MAIS RAPIDEZ ! ...


LISTA DE PROGRAMAS PARA UM BOM (E RÁPIDO) COMPUTADOR:


(para manutenção)
-AVIRA (leve, gratuito e eficiente. Ou seja... quase perfeito.)
-ADVANCED SYSTEM CARE
-C CLEANER
-MALWAREBYTES ANTI-MALWARE
-EASY CLEANER
-TUNE-UP SYSTEM CARE (este é pago, mas parece ser mais eficiente do que os outros. E sempre se pode dar um “jeitinho”, se é que você me entende...rsrs)

(para INTERNET)
-GOOGLE CRHOME (browser leve, rápido e de fácil visualização. Muito mais leve que o Mozilla Firefox, e tão rápido quanto o Windows Explorer. Para mim, o melhor, e não precisa outro.)
-SPEEDbit (melhor programa que eu achei para baixar vídeos. O “SPEEDbit” faz parte do pacote “DOWNLOAD ACCELERATOR PLUS”(“DAP”): baixe o programa inteiro para pegar o SPEEDbit, mas depois mantenha apenas ele em seu Hd. O resto do programa “DAP”, na minha opinião, é besteira.)

(para música e vídeos)
- WINAMP (para arquivos de áudio. Se quiser, baixe “skins” gratuitos muito mais sofisticados para deixá-lo com uma aparência moderna. O Winamp é leve, rápido e bonito.)
- MEDIA PLAYER CLASSIC (para ver vídeos. Para baixá-lo procure pelo pacote (gratuito) chamado “K-LITE CODEC PACK”. Instalando-o você instalará todos os “codecs” que precisará para executar os diferentes formatos de arquivos existentes. Se após a instalação do K-LITE seu computador ainda não possuir determinado codec, basta instalar também o pacote de codecs do “Real Alternative”.
- Aimp2 (outra opção para áudio. Acho aconselhável  instalá-lo também pelas opções que cada um deles possui em particular. Enquanto o Winamp possui muito mais codecs e é muito mais leve, o Aimp possui muito mais ferramentas, como mudança de tonalidade de músicas (!!!), possui um som mais forte e muito mais skins. Mantenha os dois em seu PC.)

(para jogos)
- KAWAKS (para mim, de longe o melhor emulador de jogo eletrônico (acho ele melhor do que o “MAME”). Reproduz com assustadora exatidão as antigas máquinas de ARCADE do século passado, e não possui nenhuma dificuldade para a sua instalação: Basta possuir o programa (com os “ROMs” que vc mais gosta), executá-lo e configurar o controle. Diversão garantida e, o melhor de tudo, gratuita.*

*Obs: estes são, na minha opinião, os melhores ROMs do Kawaks:

para CPS1: 1941.zip, captcomm.zip, sfzch.zip, dino.zip, cawing.zip.

para CPS2: 1944.zip, avsp.zip, ddsom.zip, ddtod.zip, msh.zip, mshvsf.zip, ssf2.zip, xmvsf.zip, sfz2aa.zip, mvsc.zip.

para NeoGeo: s1945p.zip, mslug2.zip, mslug3.zip, mslug4.zip, mslugx.zip, Samsho2.zip, samsho3.zip, samsho4.zip, Kof96.zip, Kof97.zip, kof98.zip, kof99.zip, kof2000.zip, kof2001.zip, kof2002.zip, Sonicwi2.zip, sonicwi3.zip.

(PROCURE POR ELES NA PASTA “ROMS” DO WinKawaks E SEPARE-OS DO RESTO. PODE DELETAR TODOS OS OUTROS. SUA PASTA FICARÁ COM MENOS DE 2 Gbs.)



- E, PRA TERMINAR, UM ÚLTIMO CONSELHO: NÃO CLIQUE EM LINKS DUVIDOSOS (principalmente aqueles com extensões URL longas e ilegíveis, como “http://ajery474gfhfhgfk56756egh”, E NEM EXECUTE ARQUIVOS BAIXADOS NA INTERNET SEM ANTES CLICÁ-LO COM O BOTÃO DIREITO DO MOUSE E SELECIONAR “SCAN SELECTED FILES WITH ANTIVIR”. Principalmente se ele for pequeno (como 500 Kbytes, por ex.), ou se a sua extensão for “.EXE”, por exemplo. Os links da Internet são como um campo minado, e apenas um clique em uma dessas armadilhas e seu PC se tornará mais um daqueles “zumbis” vagarosos que andam por aí infectados por SPYWARES e TROJANS.  Já vi leigos (e até alguns “experientes” descuidados) chegando a juntar em suas máquinas mais de 3.000 (!!!!) VÍRUS DIFERENTES DE UMA SÓ VEZ!!!




Obs 2: quem tiver outras dicas para acelerar o desempenho do PC, por favor, mande-as para mim, que irei testá-las para depois poder acrescentá-las em este tutorial.


Sexta-feira, 2 de Março de 2012

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

FUNDAMENTOS SOBRE O CANTO - O QUE É "CANTAR"?





Por que o homem canta? Qual a finalidade do canto? Qual a finalidade da música?
O que impele o homem a usar de sons e ritmos para gerar música? E por que é agradável ouvi-la?




Ninguém sabe o momento exato da origem da música. Talvez ela tenha ocorrido alguns segundos após a origem do homem. Mas podemos saber com toda a certeza qual foi o seu primeiro instrumento: a voz. A judaica Kabalah diz ter sido a primeira ação de O Criador a pronúncia de um verbo que na verdade é/são todos: “O” “Verbo”. Uma palavra proferida. 



A primeira canção.



Para os hindus o universo é sustentado por três “cordas” denominadas "Gunas”. São as três qualidades da matéria: Sattva-guna, Rajo-guna, e Tamas-guna.  Cada uma dessas três qualidades possui uma forma humanóide: Rajo controla a paixão na forma de Brahma, o primeiro ser humano criado, ou o “molde” do homem; Sattva controla a corda da bondade na forma de Vishnu, a forma humana de Deus; e Tamas controla a ignorância na forma de Shiva, que é quem futuramente destruirá toda a matéria. A doutrina hindu vê Maya (o universo) como apenas um sonho momentâneo de Krishna: 



Um sonho que na verdade é o Kirtana, ou seja, um canto coletivo infinito de todo o cosmos em uma glorificação infinita ao Senhor Supremo, ou seja, Deus.


Um canto.



Murray Schafer em sua obra “A Música das esferas” estudou a relação entre as órbitas planetárias e os intervalos musicais. Os planetas movimentam-se em o universo em uma orquestra muito bem ordenada. Uma gigantesca valsa cósmica.



Estudos recentes descobriram na teia da aranha uma complexa seqüência matemática em perfeita conjunção com os princípios da teoria musical.




O HOMEM E O CANTO


O canto é a expressão máxima da música, visto que ela é executada sem a necessidade de uso de qualquer  objeto externo. O instrumento musical do cantor é apenas o seu próprio corpo.



É um erro grosseiro pensar que o canto é apenas o som que sai da garganta pelas cordas vocais. O som é gerado pelo ar dos pulmões, que é controlado em intensidade – dinâmica - pelo diafragma, tendo seu brilho e timbre moldado nas finíssimas películas das pregas vocais, e ressona-se usando como acústica todo o corpo do cantor, desde a sua caixa craniana até a ponta de seus dedos. O cantor canta com todo o seu corpo.



A voz, assim como a impressão digital, é única para cada ser humano. Isso porque ela é definida pela constituição física do executante. Sua altura, seu peso e sua compleição física influenciará em todo o seu timbre vocal. Até mesmo o formato de seu rosto.



     Não existe uma “bonita” voz, ou um “bonito” timbre. O que as torna belas e agradáveis é apenas o uso correto de suas capacidades, tendo-se ciência de seu tipo específico, de seu alcance e limites. O fator determinante da sua qualidade (ou falta de) é estritamente a disciplina de treino do executante, a consciência de que existem diversos tipos de vozes humanas, e o cantor deve desenvolver-se de acordo com a sua própria limitação. 



Existem pessoas com vozes agudas (finas), e pessoas com vozes graves (grossas). Alguns fatores predispõem para determinados timbres, mas tudo isso é muito relativo e sujeito a infinitas nuances e exceções. Abordaremos o assunto apenas como referência.
Pessoas pequenas, de baixa estatura, geralmente possuem vozes agudas, e pessoas grandes e corpulentas, vozes mais graves. Pessoas magras geralmente possuem menos emissão vocal (força, intensidade) do que as mais gordas. Por isso cantores de música erudita com um vigoroso timbre vocal são geralmente corpulentos, obesos.





É um erro comum pessoas iniciantes no canto (e até mesmo muitos “experientes”) insistirem em cantar em escalas inapropriadas para o seu tipo de voz, danificando, assim, de forma irreversível sua corda vocal, e nunca apresentando uma qualidade de execução musical satisfatória. O canto deve ser sempre confortável e natural. Tensão, desgaste e rouquidão é a mais pura evidência de que os próprios limites do executante foram atravessados. Isso é extremamente danoso, visto que as “cordas” vocais são finas e delicadas.



Mas atenção: O cantor apenas terá conhecimento da sua verdadeira extensão vocal depois de algum tempo de treino. Somente com o treino a voz adquirirá clareza e brilho, visto que a corda vocal é como um músculo que deverá se desenvolver e fortalecer com exercícios gradativos. E aí chegamos aos dois principais exercícios do treino vocal: RESPIRAÇÃO e VOCALIZAÇÃO.



RESPIRAÇÃO

Da mesma forma como uma sanfona ou uma escaleta, a voz depende inicialmente da emissão de ar pelos pulmões, que é controlado pelo diafragma. Para uma boa execução de canto essa emissão deve ser uniforme. Uniforme significa constante: o ritmo e a intensidade da saída do ar pelo pulmão deve ser sempre o mesmo, não importando se a nota emitida pela voz é aguda ou grave. O volume, a altura do som, também deve sempre permanecer a mesma. Um erro comum de cantores iniciantes é o de cantar com a voz baixa quando emite notas graves, e o de quase gritar quando chega a notas agudas. O bom cantor tenta sempre manter o MESMO VOLUME, apenas variando-o propositadamente quando a sua interpretação o pedir.



O principal exercício para a uniformização do movimento do diafragma é expirar o ar de três formas diferentes mantendo o esvaziamento dos pulmões com exatamente a mesma intensidade: A primeira forma é com a emissão em “S”, passando depois (sem interrupção da respiração) para a emissão em “X”, para então concluir com a emissão em “F”. O efeito sonoro da execução correta desse exercício lembra o barulho de uma locomotiva, e por isso mesmo em aulas de canto para crianças chamamos a esse treino de “trenzinho”. Apesar de parecer simples, ele é de longe o melhor exercício para desenvolvimento da respiração correta.


VOCALIZAÇÃO

Para o correto desenvolvimento da voz é imprescindível os treinos de vocalizes. “Vocalizar” significa cantar escalas musicais usando vogais (a, e, i, o, u) ou sílabas (PA, BA, LA...). Podemos também fazê-lo em “humming”, ou seja, cantando com a boca fechada. Cantar em humming é uma ótima forma de treinar escalas e alcance vocal.


Antes de mais nada, aprenderemos uma simples e muito eficiente forma de aquecimento das cordas vocais. O aquecimento da voz é feito em um humming gradativo começando da nota mais grave que a pessoa emitir (atenção: sem forçar!) e subindo devagar, até chegar ás notas mais finas. Mais uma vez usando a didática usada para ensinar as crianças, a forma mais fácil de se explicar esse exercício é comparando seu som ao “hum” que as pessoas fazem em propagandas de doces: “o exercício do bolo de fubá da vovó”.



Bom, passemos para a vocalização propriamente dita. Uma ótima forma de se treinar as vocalizações é com o acompanhamento de algum instrumento musical, de preferência um piano, ou teclado. Vilões também podem ser usados sem problemas, apenas tendo-se o cuidado de se conferir se ele está corretamente afinado pelo diapasão. O uso do instrumento servirá primeiramente para o estudante conferir qual é a sua própria extensão vocal. A extensão vocal do estudante será o conjunto total de notas que ele é capaz de emitir limpa e confortavelmente. É muito importante frisarmos o “limpa e confortavelmente”, pois o estudante que insistir em emitir notas acima ou abaixo de sua extensão particular estará danificando gravemente sua voz, podendo desenvolver calosidades vocais e sofrendo alterações degradantes e irreversíveis da própria voz. 





Na mídia temos muitos exemplos de artistas famosos que sofreram deformações em sua voz com o passar do tempo, e posso afirmar de que isso não é natural, devendo-se certamente aos excessos cometidos. O primeiro excesso é forçar a voz além de sua extensão. O segundo é cantar sem um prévio aquecimento, e o terceiro é o uso de substâncias prejudiciais á voz, como líquidos gelados e cigarros e charutos.




Mas é claro que á medida em que o estudante treinar as vocalizações e o próprio canto, com o passar do tempo ele mesmo perceberá que a sua voz começará a aumentar naturalmente sua extensão, ou seja, o estudante iniciante não deve se preocupar com o fato de sua extensão vocal ser reduzida, pois isso será facilmente resolvido de forma natural e espontânea (mas gradativa). Apenas tenha paciência em seus treinos e espere sua voz desenvolver-se e adquirir brilho e graça naturalmente. É possível melhorar a qualidade do canto em até cinqüenta por cento depois de apenas uma semana de exercícios moderados de apenas alguns segundos diários. Geralmente um cantor com certa experiência e disciplina de treino pode alcançar confortavelmente três oitavas.




TIPOS DE VOCALIZES

Os vocalizes podem ser feitos baseados em escalas. O principal problema de o cantor que não possui conhecimentos básicos da teoria musical é o de que ele não saberá como usar as diferentes (e numerosas) escalas musicais. O cantor que não sabe executar nenhum instrumento musical não sabe quando ele está usando uma escala maior ou menor, por exemplo. A maior parte dos “desafinos” vocais são efetuados quando o intérprete emite uma terça maior sobre uma harmonia menor, ou vice-versa. Quem canta acompanhando-se ao violão, ao teclado ou qualquer outro instrumento “HARMÔNICO”, possui mais facilidade para manter-se na trilha da base, ou HARMONIA. Ou seja, dificilmente um cantor se profissionalizará sem um correto embasamento teórico.





Como primeiro treino de vocalizes temos a escala CROMÁTICA básica:

TOM  - SEMITOM(+)  - TOM -  SEMITOM(-), ex:

A – A# - A – Ab        ou          B – C - B – A#



E as tríades MAIOR e MENOR:



MAIOR (usando - apenas como exemplo - a tríade de SoL ):
G (Tônica) - B (terça MAIOR) – D (quinta)

e MENOR (ainda usando apenas como exemplo a tríade de Sol):
G (Tônica) – Bb (“Si bemol”, ou terça MENOR) – D (mesma quinta do acorde maior)



Todo estudante sabe que cada estilo musical é definido por uma rítmica e uma escala própria. O BLUES, por exemplo, é tocado usando-se a escala PENTATÔNICA. Tendo-se conhecimento de as diferentes escalas o intérprete poderá usá-las da forma como ele quiser.



(no próximos textos entrarei na descrição das diferentes técnicas vocais, e as suas múltiplas formas de uso. Abordarei primeiramente a "impostação vocal" e suas diversas formas de "brilho". Até lá!)




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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

OS VAMPIROS E A MÚSICA GÓTICA

   

    Durante a década de oitenta vimos surgir um movimento bastante peculiar que fora denominado (muito estranhamente, diga-se de passagem) de “GÓTICO”. Digo “estranhamente” por não haver nenhuma espécie de justificativa (principalmente etimológica) para o uso de tal expressão. Aliás, a palavra gótica já fora usada de maneira inapropriada no passado. Na própria “arquitetura gótica”. De acordo com um alquimista chamado Fulcanelli, gótico vem de arte gótica, que vem de arte goética (mágica) ou Art Goth, para finalmente chegarmos á “ARGOT”.

ARGOT: LÍNGUA PARTICULAR DE INDIVÍDUOS QUE TÊM INTERESSE EM DIVULGAR SEUS PENSAMENTOS DE FORMA VELADA, SEM SEREM COMPREENDIDOS POR TODOS OS QUE O RODEIEM.

Com relação ao estilo musical propriamente dito (que é o tema deste ensaio) esta suposta definição não é exata. Para a arquitetura, sim. Com “música gótica”, ou movimento gótico, o que tivemos foi uma climatização, uma ambientação do romântico melancólico e sombrio. Nessa arte “Noir”, a Lua é mais bela que o Sol, a noite mais romântica que o dia, e os homens são vampiros urbanos sem caninos afiados. A melancolia é mais poética que a alegria.

O mito do vampiro é tão atraente para o grande público, pois em ele o ser humano vê espelhado a sua própria fome de viver. O vampiro seduz com o seu próprio lado sombrio, é justamente o seu ar ameaçador e imprevisível que cativa – e fascina - a sua vítima.

E entre os jovens da década de oitenta, muitos se identificaram com esse clima sombrio, com essa sedução dark.
Aparentemente, na música tudo parece ter começado – involuntariamente – com o senhor David Bowie, e após ele uma avalanche de bandas (principalmente inglesas) começou a aparecer. A principal delas foi o Bauhaus.

O Bauhaus fora talvez a banda que mais usou dessa roupagem e climatização do mito do vampiro, apesar de em entrevistas seu vocalista Peter Murphy ter afirmado de que era tudo cênico, nada mais do que apenas uma representação artística. Pode ser.


Principais bandas (talvez, necessariamente nessa ordem):
David Bowie , Bauhaus, Joy Division, Nick Cave, The Cure, Depeche Mode.
E, mais recentemente, a nova geração:
Morphine, Interpol, She Wants Revenge, Radiohead.


A seguir farei uma lista das canções mais representativas, que bem podem servir como uma espécie de histórico da música “gótica”. Serão incluídas nessa lista músicas mais recentes que mantiveram a mesma climatização (aliás, muita gente vai pensar que muitas dessas bandas estão erroneamente classificadas como góticas. Talvez realmente estejam, o que foi  levado em consideração foram determinadas canções, especificamente). Vista a sua mais bela roupa preta, apague as luzes, acenda as velas, abra sua garrafa de vinho, contemple a Lua e relaxe.


DAVID BOWIE:
As The World Falls Down, Life on Mars, Ashes to Ashes, 5.15 the Angels have Gone, No Control, Untitled Nº1, I Would be your Slave,  Sunday

BAUHAUS:
Bela Lugosi is Dead, Spirits, In The Flat Field, God In an Alcove, Stigmata Martyr, Adrenaline, Black Stone Heart, Too Much 21st Century.
JOY DIVISION:
Heart and Soul, Decades, Passover, Means to an End.

NICK CAVE:
Do You Love me, Red Right Hand, Bring it On.

THE CURE:
Charlotte Sometimes, A Forest, One Hundred Years, The Hanging Garden.

DEPECHE MODE:
Enjoy the Silence, Barrel of a Gun, I Feel You, Walking in my Shoes.

MORPHINE:
I know you (part III), Whisper, French fries w. pepper, I had my chance, Empty box, Hanging on a courtain, Let's take a trip together.

INTERPOL:
Hands Away, Leif Erikson, NYC, Pioneer to The Falls, Rest My Chemistry, Song Seven, Specialist, Stella was a Diver and she was always down.

SHE WANTS REVENGE:
Monologue, Sister, These Things, Us, Red Flags and Long Nights.

RADIOHEAD:
All I Need, No Surprises, Karma Police, My Iron Lung, Subterranean Homesick Alien, Optimistic.



ALÉM DISSO, TEMOS TAMBÉM CANÇÕES ESPARSAS DE GRUPOS DIVERSOS:

Soft Cell com “Torch”,  Culture Club com “The Crying Game”, The Smiths com “How Soon Is Now?”, Marc  Clayton com “Again”, U2 com “Love is Blindness”, Ozzy com “No More Tears”, Soundgarden com “Black Hole Sun”, Alice in Chains com “Down in the Hole”, Chris Cornell com “Steel Rain”, e Beck com “Lonesome Tears”.

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(No próximo ensaio falarei sobre o PUNK ROCK, SUAS PRINCIPAIS BANDAS E SUAS PRINCIPAIS MÚSICAS.)




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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O BRASILEIRO QUE NÃO LÊ LIVROS É UM SEMI-ANALFABETO

    Passei grande parte da minha vida lendo literatura européia. Na escola traumatizara-me com a literatura Brasileira e Portuguesa, graças ás intransigentes professoras que empurravam goela abaixo de seus alunos esses livros á força, obrigando-nos a lermos uma determinada obra, para depois passarmos por uma prova escrita. Peguei ódio de escritores brasileiros e portugueses (que passei a considerar pedantes e piegas), e apenas lia as sinopses das obras requisitadas. Cheguei a tirar notas máximas sem ao menos ter tocado nos livros. Na verdade, consegui gostar de apenas dois autores (que, aliás, nunca foram recomendados em minha escola por serem considerados “densos” e complexos demais): Guimarães Rosa e Clarice Lispector. E, alguns anos depois, descobri a bela e sensual literatura afro-baiana de Jorge Amado.

    Minha rebeldia pela escola não se resumia apenas aos livros requisitados: Sempre achei ridículo todo o currículo escolar. Para mim, Matemática deveria servir para ensinar um futuro cidadão a administrar suas próprias finanças e bens, e não para confundi-lo com equações complexas e fórmulas que nunca seriam usadas no cotidiano. Literatura deveria ser uma matéria que estimulasse o aluno a ler, e não despotamente obrigá-lo a ler gêneros incompatíveis com o seu gosto pessoal. O aluno deve ter o direito de escolher as obras que vai ler. Só assim o amor pela leitura pode se desenvolver. Cheguei a tal ponto de meu engajamento que joguei fora meus cadernos, e passei a freqüentar a escola apenas com folhas esparsas, uma caneta, e os livros que eu próprio escolhia. E como eu não falava com quase ninguém na classe (até a oitava série quase ninguém gostava de mim por eu ser um geek-freak, e eu mesmo colaborava para ser ignorado) os professores nem pareciam notar o meu descaso. Ou não se animavam a cutucar a onça.

    Ás vezes eu escolhia obras para ler com a intenção clara de provocar: Na aula de Literatura (que eu achava particularmente enfadonha) eu ignorava a professora e ficava lendo o “Manifesto do Partido Comunista”, ou se era algo de literatura, seria o “Processo”, ou o “Paraíso Perdido”. Quando chegava o dia de algum exame, emprestava na própria classe o caderno de algum nerd solícito e rapidamente lia seu conteúdo. Mas nunca tive um desempenho abaixo da média. Para mim, era o bastante. Preferi ocupar os espaços de minha mente com informações e conhecimentos que julguei mais apropriados, e não com “quedas de Constantinopla”, “equações de sétimo grau”, “orbitais moleculares” e “teoria de Arrhenius”.

    Estranhamente, a maioria dos professores parecia gostar de mim. Talvez porque sabiam que eu tinha uma boa capacidade intelectual. Eu, também, nunca cheguei a ridicularizá-los, ou a criticar abertamente as matérias e o currículo escolar. Sabia muito bem que quanto mais calado e quieto eu ficasse, mais me deixariam em paz. Alguns chegavam até a me deixar dormir em minha carteira sem me incomodar. E com alguns eu debatia com interesse e carinho. Eram os professores menos ortodoxos, de cabeça aberta, que sabiam que um bom diálogo sobre a vida real era muito mais importante do que copiar retóricas ocas intermináveis. É perfeitamente possível usar essas matérias escolares de uma forma prática e útil, mas para isso acontecer ela deve ser fundida com o presente, com o cotidiano do aluno-cidadão, e com o seu futuro. O currículo escolar deve ser peneirado, lapidado, da mesma forma como uma biblioteca também deveria ser.

    Na minha cidade a biblioteca local possui bons livros, mas está superlotada de obras medíocres e ruins... E não possui títulos que seriam essenciais. Como o espaço de qualquer biblioteca é limitado, é óbvio que ele deve ser bem aproveitado. Revistas de curiosidades mensais e livros ruins são ótimos para se reciclar.

    Como estou falando sobre esse assunto (que julgo importantíssimo) vou expor outras posições: Acredito que um dos motivos principais de uma biblioteca não ser um ambiente normalmente freqüentado pelos jovens seja (afora o trauma por literatura-brasileira que quase todos os alunos adquirem por serem forçados a lerem) pelo fato de que a biblioteca empresta ou aluga seus livros. Qualquer dono de empório de livros usados sabe a quantidade de livros que são furtados das bibliotecas para depois irem para a estante particular do “intelectual”, ou para serem usados como moeda-de-troca em sebos. Tanto que a maioria dos empórios que eu conheço não aceita livros que possuem o carimbo de bibliotecas (fair enough). Se a biblioteca não emprestasse seus livros, suas obras boas e raras não iriam mais desaparecer “misteriosamente” junto com o cidadão e a biblioteca voltaria a ser freqüentada pelos jovens, afinal, eles teriam que ficar lá dentro para lerem. Quem faz isso sabe que não há nada de desagradável nisso, e muito pelo contrário, acho que a biblioteca pode ser um dos lugares mais bem-freqüentados de qualquer cidade, principalmente em termos de civismo e cultura. Nem sei dizer quantas vezes eu fui para a biblioteca para emprestar algum livro e a obra (que eu sabia que estava lá) havia desaparecido. E geralmente são livros caros ou raros. Ou seja, em longo prazo todos os títulos de qualidade desaparecerão e só sobrarão refugos, livros baratos e superficiais. É triste. Hoje em dia até os empórios que vendem os livros já estão começando a escassear em termos de títulos raros e bons. Quem conhece sabe o quanto está começando a ficar difícil encontrar obras de Borges, Garcia Marques, Hesse, Rosa ou Lispector. É justamente por isso que eu passei a vida inteira tratando de estocá-los em minha própria prateleira, da mesma forma como um esquilo armazena nozes para o inverno.


{Nota do Autor: Bom, como aproveitei este espaço para falar sobre isto, usarei esta deixa para legar aos leitores desse meu primeiro livro (que estou escrevendo com imenso prazer, graças aos imensos incentivos que tive de pessoas que já leram aos protótipos) a minha lista de uma suposta “Biblioteca Essencial” com exatos setenta livros, e cada um deles escolhido a dedo por mim. Obviously, ela será influenciada pelo meu gosto pessoal, por isso, não julgo que todos devam se ater a ela e, muito pelo contrário, todos deveriam fazer a sua própria. Mas eu acho que já seria um bom começo aproveitarem-se das obras que gostarem desta  minha lista para fazerem a sua própria. Irei apenas colocar os títulos para não me demorar por demais}:


Demian; Sidarta; Lobo da estepe; O Castelo; O Processo; Dom Quixote; A Tempestade; O Estrangeiro; 1984; A Morte de Ivan Ilitch; A Ilha; O Paraíso Perdido; As Palavras; Doutor Fausto; Fausto; Relato de um Náufrago; Doze Contos Peregrinos; Cem Anos de Solidão; Satiricon; Os Irmãos Karamázovi; O Retrato de Dorian Gray; Retrato do Artista quando Jovem; Martín Fierro; Uma Temporada no Inferno; Odisséia; Mensagem; Assim Falou Zaratustra; O Anticristo; A Gaia Ciência; Discussão; Metamorfoses; Tao Te Ching; Imitação de Cristo; O Presente da Águia; O Fogo Interior; Sagarana; Manuelzão e Miguilim; Grande Sertão Veredas; Noites do Sertão; Nossa Senhora de Paris; A Paixão segundo GH; Laços de Família; Prometeu Acorrentado; Cândido; O Livro dos Sonhos; Ulisses; Sete anos no Tibet; Sonho de Uma Noite de Verão; História da Eternidade; Elogio da Sombra; Bhagavad Gita; Uma Breve História do Tempo; Deuses Americanos; A Voz do Fogo; Em Busca do Tempo Perdido; O Tambor; Admirável Mundo Novo; O Poder e a Glória; O Despertar dos Deuses; Os Demônios de Loudon; Uivo; A Morte de Artemio Cruz; Suave é a Noite; Dois Vivos e um Morto; Contos Romanos; Os Trabalhadores do Mar; Verdade Tropical; O Pagador de Promessas; O Morro dos Ventos Uivantes; O Tao da Física.



Senti num vislumbre tantas portas abertas,
Mas não sei em qual entrar...

E tantos livros me deram pistas desse caminho,
mas temo não voltar.

“EMO”? QUE É ISSO?


Uma vez, quando me perguntaram como saber se alguém é bonito ou feio, eu sem ao menos titubear - e com a cara mais limpa do mundo - respondi de improviso (é dessa forma que saem as minhas melhores “pérolas”): “é só você se imaginar estando em um rótulo de algum shampoo ou de uma pasta de dentes. Você compraria esse shampoo? Não? Então você é feio”. Na verdade tratava-se apenas de mais uma das minhas brincadeiras de mau-gosto, porque se fôssemos analisar dessa forma como eu coloquei, mais de setenta e cinco por cento das pessoas – incluindo eu, é óbvio - seriam “feias”, e não é bem assim.

O critério da escolha de modelos para ilustrar os tais rótulos de shampoo e pasta de dentes não se restringe apenas á beleza física. Antes de qualquer coisa, tem de ser uma beleza “padrão”. Marilyn Monroe e Superman.

Belezas exóticas, mais complexas, frutos de miscigenações, de misturas interessantes de duas belezas étnicas compatíveis (onde o Brasil – longe de eu estar sendo apenas patriota - é um dos maiores fabricantes) não são eficientes ou adequadas para esse universo dos produtos de perfumaria. Chamam a atenção demais para o modelo, ofuscando inevitavelmente o produto em si. Justamente por esse motivo as modelos dos desfiles de moda são quase heterogenicamente loiras cocainômanas e anoréxicas de quarenta quilos e desprovidas de seios ou nádegas: sua função é a de “cabide”, não podendo desviar a atenção de as roupas para os seus quadris. As pessoas têm de ver a roupa, e não a modelo.

O mais estranho de tudo isso é que se pegarmos revistas velhas de moda, veremos de forma gritante como o “ideal estético” não só é imposto pelo showbizz (leia-se “moda”, “fashion”) como ele está sempre em eterna transformação, e de forma ás vezes tão caótica e contraditória, que o que era cool na estação passada tornar-se-á burlesco, risível, na próxima. O melhor exemplo disso é o final do milênio passado (que eu tive a felicidade – ou tristeza – de presenciar pelo menos o final)... Principalmente com as décadas de setenta e oitenta.

Nas décadas de setenta a humanidade começou a deparar-se com cortes de cabelos e roupas que – antes e depois dela – seriam usados somente por loucos ou humoristas. Principalmente a moda masculina. Se bem que, analisando melhor agora, eu estou quase pensando em sugerir que na verdade foi só a moda masculina, mesmo, que caiu no ridículo. A moda feminina passou pelo grotesco somente com aqueles cabelos encaracolados compridíssimos (ressecados e com volume, e que talvez fossem fruto do excesso de uso de produtos químicos e secadores elétricos), e por aqueles biquínis - na época batizados de “asa delta” – que lotavam as praias. Mas a moda masculina extrapolou.

A primeira coisa que me veio á cabeça, com o perdão do trocadilho, foram os penteados. Começou com as impagáveis “costeletas” – típicas de bebuns – e que geralmente vinham invariavelmente acompanhadas de camisas justas desabotoadas no peito, acompanhadas de colares de ouro e tufos eriçados de pêlos. Depois, passaram a ser acompanhadas pelos horríveis mullets (cachos de cabelos da nuca que - quando começam a crescer - são excessivamente rebeldes), que foram “evoluindo” gradativamente até chegarem ao seu ápice de ridiculês e tornarem-se os típicos penteados de cantores “sertanejos”, que desde essa época começaram a se propagar pelo país. (Detalhe: foi justamente no final dessa época que eu fui concebido, e assusta-me pensar sob qual trilha sonora). Que dizer, então, das calças? Lembro-me de uma vez em que o baterista de uma banda em comum me pediu emprestado uma calça jeans, mas ele era pelo menos uns quinze centímetros mais alto que eu; As calças ficaram tão justas que eu não conseguia parar de rir, dizendo que ele parecia o vocalista do Led Zeppelin. Mas faltou o golpe de misericórdia: a calça não era alargada embaixo, formando a intragável “boca de sino”.

Que dizer, então, da década de oitenta? Se na década de setenta os jovens fizeram tudo o que puderam para chocar aos pais e á sociedade, obviamente sobrariam poucas opções para os jovens dos anos oitenta. Mas, infelizmente, eles souberam ser criativos. E, com toda a certeza, as poucas opções de chamar a atenção que sobraram para eles eram quase todas tão ridículas quanto as piores anteriores... e além. É por isso que eu sempre digo (ops!) que “quando pensamos que algo está muito ruim, só vemos que estávamos sendo egoístas e ingratos quando tudo fica muito pior: então vemos que a situação anterior até que não estava mal.”

Na década de oitenta sobraram poucas opções do ridículo, mas quase todas elas seriam baseadas na fusão dos sexos (chamada erroneamente – até hoje – de “androgenia”): mulheres – com sua emancipação de cunhos morais – usariam acessórios masculinos (pelo menos da parte delas isso tinha uma intenção, um propósito, e foi feita por elas com muito mais bom-senso e critério estético), e os homens também – desgraçada e risivelmente – usariam apetrechos femininos. Camisetinhas “baby-look”, brincos, e – pasmem – cosméticos. Sim. Os “homens” na década de oitenta – principalmente artistas como cantores Pop e de bandas de “rock” new-wave, começaram a usar maquiagens como base, lápis e até baton. Sad, but true.

Mas sabe o que é o mais estranho disso tudo? É que eu pensava - até bem pouco tempo atrás - que depois dessas duas décadas seria muito difícil a moda cair novamente no campo do estranho, do espalhafatoso, justamente por já ter cometido todos os erros possíveis e imagináveis. Enganara-me. Com a primeira década do século vinte-e-um, chegam os “novos-mutantes”: A SUPER-GERAÇÃO EMO. Preparem-se, porque eles não parecem estar brincando. E esconda suas crianças. Antes que elas também comecem a usar penteados de personagens de mangá (detalhe: quase nenhum “emo” lê mangá, ou qualquer outra coisa) e comecem a escutar bandas pop de ideologia duvidosa.

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